Blog do Mario Magalhaes

Janio de Freitas, gigante do jornalismo, faz 85 anos
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Mário Magalhães

Janio de Freitas, em 2012, no programa ''Roda Viva'' – Foto reprodução

 

O verbete ''Janio de Freitas'' abre assim, na enciclopédia Ela é carioca (Companhia das Letras), do jornalista Ruy Castro: ''Os que só conheceram Janio de Freitas de 1983 para cá, como colunista político da Folha de S. Paulo, não imaginam que, antes de tornar-se jornalista, em 1953, ele se formou em aviação civil, pilotou um DC-3, estudou jiu-jítsu e participou de um conjunto vocal, Os Modernistas, liderado por, ora veja, João Donato''.

Paulo Francis (1930-1997), um dos jornalistas brasileiros de maior projeção na segunda metade do século 20, assinalou: Janio é um ''dos dois maiores jornalistas da minha geração'' (ao lado de Cláudio Abramo). O depoimento consta de uma coletânea de artigos e crônicas de Francis, A segunda mais antiga profissão do mundo (Três Estrelas). Neste livro, organizado por Nelson de Sá, encontra-se outra observação de Francis, que não era dado a mesuras: ''Janio é um grande jornalista, decisivo como editor da minha geração. Logo, que ele esteja de volta à crista da onda, depois de uma ausência por excessivas preocupações morais, só surpreende quem não o conhece''.

O artigo saiu na Folha em novembro de 1983. Janio de Freitas atravessara a década de 1970 distante do jornalismo, ambiente então sufocado pela ditadura e seus amigos _nem ela nem eles gostavam de Janio. Daí as ''excessivas preocupações morais'' evocadas por Paulo Francis. Melhor excessivas que ausentes, eu emendo.

Nos idos de junho daquele 1983, quando ainda não caducara a expressão ''na crista da onda'', Janio veiculara uma revelação bombástica em sua recém-criada coluna no mesmo jornal em que Francis trabalhava: agravara-se a cardiopatia do general João Baptista Figueiredo, derradeiro presidente da ditadura; os médicos cogitavam nova cirurgia. Autoridades espezinharam Janio, classificaram-no como terrorista, e jornalistas desinformados ou submissos bancaram que a informação era falsa. Menos de um mês depois, o governante que preferia ''cheiro de cavalo ao cheiro de povo'' foi operado em Cleveland.

Janio foi introduzido à minha geração como o autor de furos antológicos como o do coração baqueado de Figueiredo. Um dos mais retumbantes foi a descoberta de cartas marcadas na concorrência para uma obra de custo bilionário, a ferrovia Norte-Sul. O repórter colunista não só descobriu a falcatrua, como a antecipou com um procedimento engenhoso. Publicou o resultado em código, na seção de classificados da Folha, antes do anúncio pelo governo. Desmascarado o conluio, anularam a licitação. Corriam o ano de 1987 e o governo José Sarney, a dita Nova República.

Naquela quadra histórica, Janio implodiu acertos semelhantes na administração estadual do Rio de Janeiro, governado por Wellington Moreira Franco. Nunca um jornalista incomodara tanto os negócios marotos das empreiteiras. Além das novidades factuais, ele oferecia análise densa, em contraste com o estilo simplório e vulgarizado por clichês que principiava a se expandir entre comentaristas políticos. A prosa classuda era característica inconfundível. Era, não. É, como evidencia uma reportagem que Janio escreveu outro dia, em inabitual concessão à primeira pessoa, nos 30 anos do furo da Norte-Sul (para ler, basta clicar aqui).

O que a minha geração de jornalistas desconhecia, ou a parcela dela apresentada a Janio de Freitas nos anos 1980, é que ele influenciara decisivamente o jornalismo brasileiro nas décadas de 1950 e 1960. O jovem que já era repórter quando Getulio Vargas disparou contra o próprio peito, em 1954, seria cinco anos mais tarde o condutor da reforma ou revolução do Jornal do Brasil. Depois de impulsionar em 1959 o JB à liderança do acirrado mercado carioca, onde dezenas de diários concorriam nas bancas, Janio dirigiu a reforma do Correio da Manhã, em 1963. Foi a vez de a circulação do Correio passar à frente. Em 1967, tocaria a reforma da Última Hora do Rio. Consagrara-se como, nos termos de antigo jargão profissional, grande ''cozinheiro de jornal''. Noutras palavras, um exímio editor.

A reforma-revolução do Jornal do Brasil foi uma das mais importantes da imprensa nacional _a mais importante, no juízo de muita gente que sabe das coisas. A primeira página era ocupada na maior parte por classificados de empregos para datilógrafas, alfaiates, auxiliares de escritório, encanadores (no século seguinte, as primeiras se reinventariam como digitadoras; os segundos tentam escapar da extinção). De um dia para o outro, sem eliminar os anúncios que ajudavam a pagar as contas do matutino, o insípido JB, fundado em 1891, renasceu. Em data cravada, 2 de junho de 1959, às vésperas dos 27 anos de idade do ocupante do posto hoje denominado diretor de redação ou editor-chefe _Janio de Freitas.

''Basta comparar a edição dessa terça-feira com a que havia circulado no domingo, 31 de maio'', rememorou o jornalista Plínio Fraga (Folha, 8 de março de 2016). ''Parecem jornais produzidos em séculos diferentes, colocando o JB à frente de seu tempo.''

Nublado pela politicagem, pelo ressentimento e pela inveja que maltratam o jornalismo, o porvir assistiria a alguns contemporâneos da façanha no Jornal do Brasil relativizarem a condição protagonista de Janio. Volta e meia leio que o líder da equipe de reformadores teria sido o ótimo jornalista Odylo Costa, filho (1914-1979). Basta uma breve consulta às hemerotecas para se certificar que, meses antes da virada do JB, Odylo já se transferira para a Tribuna da Imprensa, o combativo vespertino de Carlos Lacerda (1914-1977).

''O autor da reforma não foi Odylo Costa Filho, e sim Janio de Freitas, nos cadernos principais'', testemunhou Paulo Francis. Ruy Castro endossou: ''A imprensa brasileira lhe deve [a Janio] a reforma do Jornal do Brasil, em 1959. […] Não foi somente uma reforma gráfica, como se costuma ensinar hoje nas escolas de 'comunicação'. Foi uma profunda reforma editorial, que só poderia ter sido feita por um jornalista. Por desinformação ou má-fé, a paternidade dessa reforma é atribuída a outros''.

O que impressiona mais em Janio não é ele ter deixado sua marca no jornalismo já aos 26 anos. Nem suas reminiscências saborosas e cabeludas das passagens pelo Diário Carioca e pelas revistas Manchete e O Cruzeiro. Ou das capas de disco que desenhou, como em dois de Nara Leão (leia aqui as lembranças de Janio sobre a cantora). Ou de suas venturas e desventuras no combate à ditadura parida em 1964.

Mais assombrosa é sua capacidade de manter a guarda alta depois de tantas pelejas jornalísticas. Num tempo em que jornalistas se juntam para manifestar a mesma opinião, desprezando o pluralismo de ideias e se empenhando em convencer pelo cansaço, Janio não teme escrever o que lhe vai na cachola. Sem se importar em ser igual, diferente, se vai agradar a esse ou contrariar aquele. Simplesmente disposto a exercer com dignidade o ofício apaixonante que abraçou 64 anos atrás. A difusão de informações pela internet renovou seu público. Muitíssimos jovens, fiéis leitores seus, concordando ou discordando dele, jamais o haviam lido no papel. Descobrem agora a pena que permanece afiada.

Minha bronca com Janio: ele deve à história do jornalismo e do Brasil um livro de memórias. Tomara que, na moita, já o esteja preparando.

Neste 9 de junho de 2017, Janio de Freitas, gigante do jornalismo, faz aniversário de 85 anos.

Tim-tim.

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Em 1968, ‘às favas todos os escrúpulos’; em 2017, ‘modéstia às favas’
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Mário Magalhães

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O ministro Gilmar Mendes: ''Modéstia às favas'' – Foto Alan Marques/Folhapress

 

Na sessão liberticida do Conselho de Segurança Nacional que chancelou o Ato Institucional número 5, em 13 de dezembro de 1968, o coronel Jarbas Passarinho proclamou:

''Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência!''

Alguns maldosos comentaram, com discrição, que desconheciam no ministro do Trabalho escrúpulos de consciência democrática para mandar às favas.

Em julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, no dia 7 de junho de 2017, Gilmar Mendes exclamou:

''Essa ação só existe graças ao meu empenho, modéstia às favas!''

Os maledicentes de plantão indagaram: modéstia no ministro Gilmar Mendes?

Tudo é história.

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Para entender o noticiário do dia: ‘Com o Supremo, com tudo’
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Mário Magalhães

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O noticiário do dia está vinculado, é evidente, à conspiração que levou Michel Temer à Presidência.

A tramoia destinou-se, entre outros propósitos, a assegurar impunidade.

Sérgio Machado enunciou o caminho: ''A solução mais fácil era botar o Michel''.

Acrescentou: ''É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional''.

Romero Jucá sentenciou: ''Com o Supremo, com tudo''.

É isso aí: com tudo.

Ressoa a Lei Jucá, para ''estancar essa sangria''.

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Zé Ricardo não pode ser tratado como inimputável
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Mário Magalhães

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Não basta ter bom elenco; é preciso saber usá-lo – Foto Rubens Cavallari/Folhapress

 

O Flamengo teve mérito ao apostar em sangue novo como técnico.

Zé Ricardo arrumou o time no Campeonato Brasileiro do ano passado e conquistou o título estadual invicto em 2017.

Mas a eliminação na Libertadores não constituiu um revés qualquer, e sim um tremendo vexame.

Com um dos elencos mais caros do continente, o rubro-negro foi superado por três clubes de orçamento mais baixo.

No Campeonato Brasileiro, o fiasco continua.

Esperava-se que ontem, contra o Sport, a equipe reagisse. Não reagiu, e levou 2 a 0.

A ideia é jogar com a bola no pé. Fica difícil, mantendo jogador com dificuldade para passar. Às vezes, Márcio Araújo compensa com luta as limitações técnicas. Na atual fase, não há combatividade que compense passe errado até para companheiro livre, a poucos metros de distância. Toque para o lado, em demasia, é embromação.

Com gramado ruim, os jogadores escorregaram o tempo inteiro, sem trocar as chuteiras. Ninguém cuida disso?

Perseverança é virtude. Teimosia, não. Por que escalar Muralha, bom goleiro, contudo em mau momento? Deu no que deu.

A entrada de Vinicius Junior pela esquerda tem dado certo. No Recife, ele criava problema para a marcação. Por que transferir o garoto para a direita do ataque?

Apostar em Zé Ricardo foi mesmo certo.

Porém, é estranho que ele seja tratado como inimputável, o técnico que não pode ter o trabalho julgado.

Novato ou experiente, ele é o treinador do Flamengo.

O sarrafo fica lá em cima. O técnico deve ser cobrado.

O que se tem visto é um bando, uma bagunça.

Ah, estão chegando novos jogadores.

Não basta bom elenco. É preciso saber o que fazer com ele.

Se o desempenho não melhorar logo, será hora de um novo treinador.

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Juiz ladrão
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Mário Magalhães

A crônica, a sociologia e a história do futebol guardam lugar de honra para uma instituição nacional: o juiz ladrão.

Contam que num jogo renhido a bola saiu pela lateral, e o apitador se traiu: ''É nossa!''

O juiz ladrão é aquele que emprega dois pesos e duas medidas. Estabelece critérios distintos, de acordo com a camisa do clube.

Dá pênalti para uma equipe e, em lance igual na outra área, diz que não foi nada.

Se a bola toca na mão do zagueiro visitante, é pênalti. Para o beque da casa, a interpretação é de toque involuntário _não houve dolo, julga o juiz ladrão.

É complicado flagrar o juiz ladrão. Os episódios de culpa incontestável foram pouquíssimos. Eu me lembro de dois, nos anos 1990.

Brasil, o país do futebol.

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A semelhança de Gilmar Mendes com Garrincha
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Mário Magalhães

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O ministro Gilmar Mendes, do STF e do TSE – Foto Ed Ferreira/Folhapress

 

Do jornalista Claudio Renato Passavante, observador do futebol e do poder:

''Gilmar Mendes é o Garrincha do Supremo: só dribla pra direita''.

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João Doria é o Benjamin Button que não rejuvenesce
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Mário Magalhães

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João Doria, de vermelho, em 2011 – Foto Julian Marques/Folhapress

 

Embalado como o novo na política, João Doria tem sido personagem de notícias curiosas.

O prefeito de São Paulo teve a habilitação suspensa. Entre a coleção de infrações estão dirigir acima da velocidade permitida e avançar sinal vermelho. Logo ele, um pregador contra limites de velocidade que julga excessivamente baixos (a transparência exigia que informasse ter sido pessoalmente punido com base nas regras em vigor). Descoberta a suspensão da carteira, Doria alegou que não conduzia os automóveis. Mas assumira as multas, sem transferi-las a quem de direito.

Em março se soube que ele tinha uma dívida de IPTU próxima a 100 mil reais. Doria a contestava na Justiça. O nome do prefeito constava da lista de devedores do município que ele governa. Os R$ 90.929,61 foram pagos em 29 de março.

Doria é mais um político praticante da lei ''faça o que eu digo, mas não o que eu faço''. Eles estão em todos os partidos grandes.

Seu estilo não inova. Já nasce envelhecido, como o protagonista de ''O curioso caso de Benjamin Button'', filme de David Fincher inspirado num conto de F. Scott Fitzgerald.

Ao contrário do personagem interpretado por Brad Pitt, Doria não vai remoçando. Nasceu na política com batida de ancião, no que isso tem de ruim, e não de bom. Lembra gente como Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello.

Jânio e Collor chegaram à Presidência. Doria pode até alcançá-la, mas de novo não tem nada. É mais do mesmo.

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Temer, o ‘decorativo’: Carta mais ridícula da República faz um ano e meio
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Mário Magalhães

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Dilma Rousseff e Michel Temer, o vice missivista – Foto Daniel Marenco/Folhapress

 

Na semana em que a Justiça Eleitoral retoma o julgamento da validade da eleição de Dilma Rousseff e Michel Temer, completa um ano e meio a carta de queixumes do então vice à então presidente.

A correspondência de 7 de dezembro de 2015 consagrou-se como a mais ridícula da história da República, até onde a memória alcança. Nem os bilhetinhos seriais que o presidente Jânio Quadros remetia aos subordinados eram tão grotescos.

O amuado Temer enumerou lamúrias. Mais do que um anão político melindrado, expôs seu tamanho existencial.

O pobre coitado caricatural que o missivista busca encarnar logra um feito: é razoável considerar Dilma besta ou bestial, isso ou aquilo, mas fica difícil ao olhar retrospectivo não compreender receios que ela demonstrava e provocaram o chororô do vice chorão.

''Passei os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo'', Temer magoou-se.

E proclamou, com a sinceridade de correligionário de Eduardo Cunha: ''Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos''.

Temer, o leal, suscetibilizou-se: ''Sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB''.

Com o que se sabe em junho de 2017, a desconfiança era pouca.

Mostrou-se fiel, não propriamente à presidente constitucional, mas aos sócios políticos: ''A senhora, no segundo mandato, à última hora, não renovou o Ministério da Aviação Civil onde o Moreira Franco fez belíssimo trabalho elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a registrar este fato no dia seguinte, ao telefone''.

Não foi somente o descaso com Moreira que abalou o coração do remetente: ''No episódio Eliseu Padilha, mais recente, ele deixou o ministério em razão de muitas 'desfeitas', culminando com o que o governo fez a ele, ministro, retirando, sem nenhum aviso prévio, nome com perfil técnico que ele, ministro da área, indicara para a Anac''.

Dilma, a insensível, machucara os sentimentos do companheiro de chapa: ''Recordo, ainda, que a senhora, na posse, manteve reunião de duas horas com o vice-presidente Joe Biden _com quem construí boa amizade_ sem convidar-me, o que gerou em seus assessores a pergunta: o que é que houve que, numa reunião com o vice-presidente dos Estados Unidos, o do Brasil não se faz presente?''

A presidente não pensou no Brasil: ''Até o programa 'Uma Ponte para o Futuro', aplaudido pela sociedade, cujas propostas poderiam ser utilizadas para recuperar a economia e resgatar a confiança, foi tido como manobra desleal''.

O amigo do vice de Obama confundiu o conjunto da sociedade com, suas referências, o jornalismo propagandístico (contradição em termos) e o patronato mais endinheirado. O programa peemedebista contribuiu _contribui, pois está em vigor_ para piorar ainda mais a vida da maioria dos brasileiros.

O desabafo derradeiro: ''Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã''.

O tempo mostrou que era para confiar?

Michel Temer, o autor da cartinha ressentida, é hoje o presidente do Brasil.

(P.S.: para ler a íntegra da carta de Temer a Dilma, basta clicar aqui.)

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Democracia de tapetão
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Mário Magalhães

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Ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral – Foto Ueslei Marcelino/Reuters

 

As bandas (ou bandos) puxam daqui pra lá, de lá pra cá, fazem mais barulho do que, no engarrafamento, buzina de carro de motorista insensato.

Pretendem influenciar o processo sobre a chapa Dilma-Temer cujo julgamento o Tribunal Superior Eleitoral planeja retomar amanhã.

Os destinos do Brasil passaram a ser definidos não pela soberania do voto popular, mas nos tapetões do Judiciário e do Legislativo.

Dilma Rousseff foi deposta pelo Congresso, com o beneplácito do STF, não por causa das provas agora à disposição da Justiça Eleitoral _são outros quinhentos. E sim sob o pretexto das ditas pedaladas fiscais e outros procedimentos contábeis.

Michel Temer, vice na mesma coligação, ganhou o posto para o qual não havia sido escolhido pelo voto direto. Pode cair se o TSE se pronunciar pela cassação da chapa.

Temer não tem legitimidade para ocupar o Planalto. Nunca teve.

Não chegou lá por vontade dos eleitores. Corre o risco _chance para o país_ de voltar para casa também sem consulta aos brasileiros.

O equilíbrio entre poderes vitamina a democracia. Mas ela fraqueja quando arrancam dos cidadãos a decisão sobre os governantes.

A pressão de grupos se dirige para os tribunais e o Congresso.

Gostam de lobby e demonizam o voto popular.

Vive-se uma democracia de tapetão. Isso é democracia?

Na democracia, presidente se elege no voto.

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