Blog do Mario Magalhaes

Convocação confirma Brasil favorito ao ouro olímpico no futebol masculino
Comentários 1

Mário Magalhães

Rogério Micale, o técnico olímpico – Foto Rafael Ribeiro/CBF

 

Que favoritismo não ganha jogo é mais sabido que as tramoias do Eduardo Cunha.

E um pouco mais de sensatez não recomenda, depois de tantas bordoadas, apostar na seleção.

Ainda mais se tratando de competição, como o futebol masculino olímpico, em que sempre perdemos.

Mas a vida sensata demais convida ao tédio e carece de graça.

Isso mesmo, a impressão é inescapável: o Brasil é favorito ao ouro nos Jogos do Rio.

A convocação de ontem do técnico Rogério Micale confirmou.

O time tem potencial, em especial no ataque. Neymar e Douglas Costa, titulares do escrete principal, têm lugar garantido, salvo contratempo. Se jogarem três atacantes, Gabigol e Gabriel Jesus parecem ter mais chances na disputa para entrar. Têm estilos diferentes, oferecem opções.

Ignoro o meio-de-campo preferido do treinador. Rodrigo Dourado no centro e Rafinha e Fred pelos lados formariam um trio de encher os olhos.

Marquinhos na zaga é luxo. Idem o coroa Fernando Prass no gol.

Em tese, somos mais fracos _ou menos fortes_ nas laterais.

O favoritismo é reforçado pela ausência de estrelas dos visitantes, que, sem os craques, tornam-se menos competitivos.

E a despeito de Micale não contar com todos os escolhidos, pois alguns foram barrados por seus clubes.

A medalha de bronze do timaço brasileiro de 1996 foi digna, mas frustrante.

Serve de alerta.

Agora, a seleção tem tudo para, enfim, chegar lá.

(O blog está no Facebook e no Twitter )


Com cerco a Fernando Cavendish, velho ditado faz o poder tremer no Rio
Comentários Comente

Mário Magalhães

Fernando Cavendish, da Delta – Foto Eduardo Knapp/Folhapress

 

A Polícia Federal prendeu nesta manhã o empresário e bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Há ordem de prisão contra o empreiteiro Fernando Cavendish, da Delta.

A construtora tornou-se nos últimos anos, aqui no Estado do Rio, símbolo da promiscuidade entre interesses privados e poder público.

Cavendish tocou obras milionárias durante a administração do governador Sérgio Cabral.

Ao menos uma, bilionária: integrou o consórcio da reconstrução do Maracanã, ao pornográfico custo de R$ 1,2 bilhão.

Executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, parceiros da Delta na obra no estádio que virou arena, disseram que Cabral cobrou 5% de propina.

Cavendish nunca contou o que viveu e sabe.

Na Operação Saqueador, a PF investiga lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.

Por conta do velho ditado, o poder treme no Rio, sobretudo no PMDB, mas também em outros partidos.

Que ditado?

Aquele que diz que quem tem… tem medo.

(O blog está no Facebook e no Twitter )


Na Alemanha e na Argentina, nunca é tarde para fazer justiça. E no Brasil?
Comentários 13

Mário Magalhães

Reinhold Hanning as an SS soldier and now

Reinhold Hanning, dos tempos da SS a réu – Foto reprodução BBC

 

Qual o sentido de levar ao tribunal um ancião de 94 anos, sentado numa cadeira de rodas, e julgá-lo por crimes cometidos há mais de sete décadas?

Mais ainda, de condená-lo a cinco anos de prisão, apesar do direito de permanecer em liberdade enquanto tramita sua apelação?

O alemão Reinhold Hanning integrou a juventude nazista, militou como voluntário na SS, a tropa de choque hitlerista, e serviu como guarda em Auschwitz.

Permaneceu de janeiro de 1942 a setembro de 1943 no campo de extermínio estabelecido na Polônia.

Foi submetido ao banco dos réus por acusação de cumplicidade na morte de ao menos 170 mil seres humanos, na maioria judeus.

O veterano nazista alegou inocência, mas pediu desculpas por ter pertencido a uma organização criminosa.

Da mesma idade dele, Leon Schwarzbaum, sobrevivente de Auschwitz, respondeu: “Eu perdi 35 parentes. Como você pode se desculpar por isso?''

Qual o sentido de punir um homem no outono da vida?

Um sentido generoso, justo e escrupuloso: além de honrar as vítimas do passado, desincentivar novos holocaustos.

A punição de Hanning acena às futuras gerações: não repitam as de outrora, porque a impunidade não vingará.

Violações graves de direitos humanos são imprescritíveis.

Leniência com o horror estimula sua permanência e reedição.

A Alemanha, o velho palco da selvageria, acaba de dar exemplo ao julgar o cúmplice da barbárie.

Bem como a Argentina, onde foram condenados participantes da Operação Condor, o consórcio de ditaduras sul-americanas que nos anos 1970 e 1980 perseguiu, torturou, matou e sumiu com opositores políticos, mesmo além de suas fronteiras.

O general Reynaldo Bignone, 88, foi o último presidente da ditadura que vigorou na Argentina de 1976 a 1983.

Em 2011, já havia sido condenado a prisão perpétua por crimes contra a humanidade.

Agora é novamente declarado culpado. Desta vez, pelo desaparecimento de mais de cem cidadãos em ações da Operação Condor.

A pena de 20 anos não vale um só dia a mais de cana, mas contém valor simbólico vigoroso, o de recusar a impunidade.

Dos 18 militares denunciados, 17 receberam penas de oito a 25 anos de prisão.

Entre eles um estrangeiro, o coronel uruguaio Manuel Cordero, 77.

Enquanto Alemanha e Argentina semeiam o porvir escrutinando o passado, o Brasil eterniza a impunidade dos agentes da ditadura (1964-1985).

Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel do Exército Brasileiro, morreu no ano passado aos 82 anos sem ter sido punido por seus crimes imprescritíveis, embora a Justiça o tenha qualificado formalmente como torturador.

De 1970 a 1974, o torturador Ustra chefiou o maior campo de concentração urbano da ditadura, o Destacamento de Operações de Informações do II Exército.

Lá, em São Paulo, o coronel comandou tortura, assassinatos e desaparecimentos de militantes de esquerda.

Nem as leis da ditadura autorizavam tais crimes.

Há muitos sócios de Ustra no aparato de extermínio que estão vivos.

Deveriam ser julgados como o alemão Reinhold Hanning e o argentino Reynaldo Bignone.

Os dois estrangeiros eram agentes do Estado.

Barbarizaram na condição de funcionários públicos.

Ustra, também.

A impunidade é um convite a tudo de novo outra vez.

(O blog está no Facebook e no Twitter )


Seleção brasileira tem elenco para brilhar como Chile e Argentina
Comentários 20

Mário Magalhães

Neymar, o condutor do Brasil para a volta por cima – Foto Fabrice Coffrini/AFP

 

Tudo bem que o técnico do México deu de inventar de novo, transformando vitalidade em anemia, mas foram inegáveis os méritos da implacável seleção do Chile no chocolate de 7 a 0 pela Copa América.

É claro como o céu californiano que a equipe dos Estados Unidos se enfraqueceu. Porém sua incapacidade de finalizar ao menos uma vez na semifinal decorreu também do eficiente sistema defensivo da Argentina, que no ataque emplacou quatro gols.

Com o estilo de jogo desenhado por Sampaoli e na essência mantido por Pizzi, o Chile campeão é mais time que a soma dos jogadores. Bem treinado, corrente azeitada. Como diziam no tempo em que se falava em tempo do onça, joga por música. Não que careça de talento, como comprovam Vidal, um dos três ou quatro melhores volantes do mundo, Sánchez, atacante de prestígio na Europa, e Bravo, titular do Barcelona no campeonato espanhol. Há outras feras, como Jara, partidaço anteontem, e Díaz, volante de responsa. Até do Medel eu sou fã.

Ainda assim, o coletivo é melhor do que sugere a escalação. Muitos chilenos não defendem clubes europeus de ponta.

Na Argentina, ocorre o oposto. No papel, desprezando o futuro sem alguns deles, Messi, Mascherano, Di María e companhia formam um timaço mais forte que o das três finais mais recentes da Copa América e da Copa do Mundo. Nas duas decisões contra os chilenos, Tata Martino armou um escrete que em muitos momentos foi dominado. Mesmo contando com grupo mais qualificado.

Com suas diferenças, duas seleções admiráveis. Pelo menos até outro dia os argentinos encabeçavam o ranking da Fifa, no qual o Chile ostentava a honrosa quinta posição.

E nós com isso?

Ao contrário do que indicam os malogros recentes, o Brasil tem jogadores bons, muito bons, ótimos e excelentes para dar a volta por cima.

Faltava-nos técnico. Com a queda de Dunga e a ascensão de Tite, não falta mais.

Nossa cartolagem oscila entre a cretinice e o desvio, mas nisso não contrastamos com os adversários sul-americanos e de bandas mais distantes.

Vejamos, então, o que um burocrata corporativo chamaria de recursos humanos.

Nem chilenos nem argentinos podem escalar na defesa tanta gente boa. Na lateral-direita, Daniel Alves é um dos melhores. Na esquerda, Marcelo e Filipe Luís são elite. Montar a zaga com titulares do PSG e da Inter de Milão não é para qualquer um _Thiago Silva e Miranda estão à disposição. Não temos goleiro à altura de Bravo, mas os brasileiros ficam no nível de Romero. Alisson, Jefferson, Grohe, Victor, Prass, Ederson, Diego Alves _são numerosos.

Um ataque com Neymar, Douglas Costa e Willian é de dar inveja. Se Tite quiser, pode recuar o boleiro do Chelsea e abrir ou não nova vaga de atacante.

O meio-campo é o nosso setor mais frágil, rompendo a tradição de craques. Não temos um volante como Vidal ou Mascherano, mas Casemiro evoluiu, como assistimos na Champions deste ano, pelo Real Madrid. Lucas Lima, Philippe Coutinho, Renato Augusto, Elias e outros são bons ou muito bons.

A despeito dos meias não tão bons quanto os defensores e atacantes, podemos lançar uma seleção competitiva. Nosso elenco é melhor que o do Chile.

O desafio, portanto, é sobretudo coletivo.

Sem desprezar a obviedade do caráter decisivo dos desempenhos individuais. Neymar, o dom Sebastião do futebol nacional, precisa amadurecer para conduzir a nossa volta por cima.

Tite é o cara certo no momento certo.

Logo melhoraremos, e um pouco mais tarde também poderemos dar shows como os de chilenos e argentinos.

(O blog está no Facebook e no Twitter )


A tristeza de Messi é a tristeza do futebol
Comentários 23

Mário Magalhães

De joelhos, numa noite triste demais – Foto reprodução UOL

 

O Lionel Messi sempre teve pinta de palhaço triste, embora eu desconfie que seja mais um tímido desses que desde criança olham para o chão e não para o céu.

O palhaço diverte os outros e não se diverte. Dá alegria e vive melancolia. Não parece ser o caso do Messi.

Assim que o Biglia errou o pênalti derradeiro, e o Chile conquistou a Copa América, o Messi caminhou cabisbaixo rumo ao banco de reservas do seu time.

Não falou com ninguém pelo caminho, e ninguém ousou se dirigir a ele no instante da dor.

Para um animal competitivo, como o Guardiola o definiu, a derrota dói mais ainda.

No banco, permaneceu só, numa solidão de quem aparenta ter nascido para ser solitário.

Ao receber a medalha de prata, atestado de mais um fracasso épico, não trocou olhares com nenhum dos cartolas a quem o protocolo o obrigou a cumprimentar.

O jogador que encantou o futebol como nenhum outro de sua geração encarnou o palhaço triste que provavelmente não seja.

Alegrou o planeta com atuações soberbas nos Estados Unidos. Ganhou aplausos, ouviu ovações, colecionou devoções, sonhou conquistar enfim um título com a seleção principal _o olímpico ele já tem, ao contrário de todos os jogadores brasileiros de todos os tempos.

Terminou ajoelhado no gramado, ele que deixou tantos marcadores de joelhos e de traseiros no campo, ao superá-los em arrancadas incomparáveis.

Aos 29 anos, o homem que se sentiu rejeitado em seu país na infância e na adolescência, e acabou acolhido pelos catalães, anunciou sua retirada da seleção.

Com o lamento de quem sabe que nunca foi querido como batalhou para ser: “Muita gente deseja isso''.

“Não é para mim'', disse sobre a seleção. “Já tentei muito.''

Sobre o campeonato que mais uma vez escapou: “Era o que mais desejava''.

“É uma tristeza grande'', falou sem precisar, porque estava na cara.

“A seleção terminou para mim.''

Como nas decisões de 2014, Copa do Mundo, e 2015, outra Copa América, os argentinos não conseguiram fazer um só gol.

O baixote jogou bem em Nova Jersey. Em alguns momentos, muito bem. O Díaz foi expulso no primeiro tempo por duas faltas no Messi.

Foi o Messi quem deu passe para o Agüero desperdiçar cara a cara. E acertar uma cabeçada defendida pelo Bravo com as pontas dos dedos.

Não foi o Messi quem perdeu um gol facílimo de fazer. E sim, mais uma vez, o Higuaín. Nem se escondeu, como o Di María.

Mas foi o Messi quem falhou numa cobrança de pênalti. Como falharam os gigantes Zico e Sócrates no revés frente à França em 1986.

Há muitas coisas a dizer sobre o triunfo chileno. Sobre como a equipe manteve o estilo de cultivar a bola para dominar. E sobre como o Tata Martino um ano depois foi de novo sobrepujado taticamente.

Tudo isso é importante, mas a tristeza do Messi é mais.

O grande vencedor nunca se sentiu tão derrotado.

O gênio do futebol, um dos maiores da história, afundou em sua maior tragédia.

O Messi sempre será um herói.

Mas nunca foi um herói tão trágico como na noite passada, na tragédia encenada num país que pouca pelota dá ao futebol.

Com o perdão dos chilenos, que merecem admiração e respeito imensos, a tristeza do Messi hoje é a tristeza do futebol.

E a minha também.

(O blog está no Facebook e no Twitter )


Sabáticas: Peixaria
Comentários 1

Mário Magalhães

Tainhas – Foto Gustavo Roth/Folhapress

 

A escritora portuguesa pergunta à mesa, com jeitinho, por que a cozinha brasileira não aproveita melhor os cardumes da vasta costa nacional. Evoco nossas moquecas. E o digno cherne ao sal grosso servido no restaurante carioca onde jantamos. Mas entendo seu desapontamento. Ela vem de um lugar cuja culinária reverencia os pescados com rara devoção.

Peixe em Lisboa é uma festa gastronômica anual. Onde, mundo afora, provei o peixe do mar mais saboroso? Ali pertinho, em Cascais, um dourado (de água salgada) ao forno. Precedido de amêijoas, molusco que no Brasil chamamos de vôngole, seu nome italiano. E sapateira, um caranguejão. Tudo tabelando com vinho verde.

Quase no mesmo nível, em Bilbao me lambuzei com uma iguaria incomum, kokotxa, carne escondida na cabeça da merluza. Só a encontrei no País Basco, assim como só lá bebi txakoli, vinho branco discretamente borbulhante, e comi o queijo idiazabal, de leite de ovelha.

Inesquecíveis, feito o salmão fresco pechinchado no mercado de Seattle. Meu pai o assou no forno do hotel, besuntado por colheradas de manteiga. Revi salmões exuberantes como aqueles, primos do Pacífico, em peixarias chilenas. Ignoro que peixes do Atlântico eram matéria-prima das moquecas com dendê que vinham em quentinhas nos almoços de férias em Ilhéus. Nem Gabriela faria igual.

Não sei se a colega portuguesa descobriu: em matéria de peixes de água doce, sobramos na turma. Quase ajoelhei diante de um tambaqui na brasa em Manaus. Às margens do Solimões, a quituteira preparou um almoço pantagruélico, com oito pratos de peixe: matrinxã assado ao forno, caldeirada de tambaqui, guisado de tambaqui, caldeirada de surubim, guisado de surubim, desfiado de pirarucu, pirarucu frito e peixe-boi _na verdade um mamífero, na época não ameaçado de extinção.

Os jundiás que uma tia cozinhava num balneário para os lados do Uruguai não faziam feio. Nós os pescávamos nos arroios das cercanias. Quer dizer, meus primos pescavam. Eu era sapateiro, saía sempre de mãos vazias.

Talvez por isso nunca tenham me levado à pescaria da miraguaia, peixão de dezenas de quilos fisgado no mar por anzol de três pontas encoberto pela isca, um siri inteiro. Certa manhã, fui à praia com dois moleques menores e, com uma rede, trouxemos para casa uns quinhentos siris e mais de setenta peixes.

Em Copacabana, desde menino ajudava a puxar o arrastão no posto 6. Os arrastões acabaram, porque acabaram os peixes. Em Surfers Paradise, na Austrália, não tinha peixe no autódromo de rua da Fórmula Indy. Pedi ostras frescas da Tasmânia, acompanhadas _ninguém é perfeito_ de Fanta laranja estupidamente gelada.

(MM, publicado originalmente na revista Azul Magazine, janeiro de 2016)

(O blog está no Facebook e no Twitter )


Os rolos de Dornelles e a ordem a Ademário
Comentários 1

Mário Magalhães

Francisco Dornelles, hoje governador interino do Rio de Janeiro, em foto de 2014

Francisco Dornelles, o governador da calamidade – Foto Ruy Baron/Valor

 

Indagado por repórteres sobre recursos para a conclusão da linha 4 do metrô, pois os 2,9 bilhões arrancados do governo federal restringem-se a gastos com a segurança pública do Rio olímpico, Francisco Dornelles escapuliu com a ordem ao motorista:

Vamos embora, Ademário“.

A agonia financeira e administrativa do Estado teve um efeito intrigante. Em vez de atiçar a curiosidade sobre o currículo do governador interino, relevou-o. Como se não fosse importante saber mais a respeito de quem gere a massa falida fluminense e controlará a bolada bilionária enviada por Brasília.

No dia seguinte à decretação do estado de calamidade pública no Rio de Janeiro, na semana passada, soube-se que o governador em exercício foi novamente mencionado como favorecido por dinheiro sujo. O ex-deputado Pedro Corrêa disse em proposta de dita delação premiada que em 2009 o então senador Dornelles, seu correligionário, embolsou R$ 9 milhões pagos pelo conglomerado Queiroz Galvão. Em troca, abafaria investigações de CPI sobre falcatruas na Petrobras.

No ano passado, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras e corrupto confesso, já afirmara que Dornelles havia sido beneficiado por propina. O hoje governador comandou o PP, partido que indicou Costa para o cargo em que foi um dos protagonistas da roubalheira na empresa de petróleo.

A Polícia Federal quer esclarecer o possível papel de Dornelles no esquema criminoso que castigou a Petrobras. De 2007 a 2013 ele presidiu o PP. Dos 35 congressistas do partido, 21 são ou foram alvo de inquérito da operação Lava Jato. Nenhuma agremiação tem tantos deputados e senadores investigados.

Jogadas na Petrobras não são novidades na carreira de Dornelles, a julgar pelo testemunho de Fernando Henrique Cardoso. No primeiro volume dos seus diários do poder, o ex-presidente registrou que em 1996 o à época deputado federal tentou emplacar um novo diretor na estatal. Chamava-se Eduardo Cunha o apadrinhado de Dornelles. Ainda distante do apogeu político como capo da Câmara, Cunha já era manjado por armações nos tempos de Fernando Collor e Paulo César Farias. Ninguém podia dizer que tomara gato por lebre.

Dornelles aparece na lista da Odebrecht, mas a relação aparentemente contém “doações'' legais e, as por baixo do pano, ilegais.

Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, foi mais claro em seu depoimento ao Ministério Público Federal. Contou que em 2010 encaminhou R$ 250 mil de propina a pedido de Dornelles. O dinheiro seria fruto de “vantagens indevidas''. Uma fornecedora da subsidiária da Petrobras teria pago a propina em forma de doação oficial ao PP.

Em 1988, ao anunciar a falência do Rio, o prefeito Saturnino Braga desmoralizou a honestidade, conforme a antológica tirada de Millôr Fernandes.

Tem cabimento reproduzi-la com Dornelles e seus antecessores Luiz Fernando Pezão e Sérgio Cabral?

Se houver mais perguntas sobre seus rolos na Petrobras e na Transpetro, talvez Dornelles venha a repetir a frase que virou meme:

“Vamos embora, Ademário''.

(O blog está no Facebook e no Twitter )


Messi é mesmo de outro planeta
Comentários 6

Mário Magalhães

Fez um golaço de falta, lembrando o Zico.

Deu dois passes para gol, um deles genial.

Argentina 4 a 0 nos Estados Unidos, numa semifinal da Copa América em que o Brasil malogrou já na primeira fase.

O pessoal do “Olé'' tem razão: o Messi não é mesmo deste mundo.

(O blog está no Facebook e no Twitter )


Jogos serão abertos no estádio, Maracanã, que simboliza corrupção no Brasil
Comentários 2

Mário Magalhães

O Maracanã em obras, antes da Copa do Mundo – Foto Júlio César Guimarães/UOL

 

Primeiro, dois antigos executivos da Andrade Gutierrez disseram que Sérgio Cabral embolsara R$ 60 milhões de propina na reforma-reconstrução do Maracanã para a Copa de 2014.

Que o então governador do Rio recebeu durante certo tempo mesada mocosada de R$ 300 mil, denominada por ele com o eufemismo “adiantamento''.

Que o agrado a Cabral correspondia a 5% do valor das obras do Estado.

Os chefes da construtora falaram na delação dita premiada, na operação Lava Jato.

Agora, sabe-se que um ex-diretor-presidente da Odebrecht declarou que Cabral “tinha como regra cobrar da empreiteira o pagamento de 5% do valor total dos contratos das obras''.

Confirmou a tabela da roubalheira.

Valeria para o Maracanã, cujo consórcio a empreiteira integrou.

A linha 4 do metrô, “legado olímpico'' cuja conclusão está atrasada por falta de dinheiro, também teria rendido propina a Cabral.

Além do peemedebista, mais gente teria levado algum por fora. Um dos dois executivos da Andrade Gutierrez que mencionaram Sérgio Cabral disse que um secretário do governador pediu 1% do preço da empreitada no Maracanã para pagar propina a conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

Todos os denunciados negam ter cometido crime.

Na noite de 5 de agosto, o Maracanã será palco da cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio (no dia 21, da de encerramento).

Pelo talento e competência dos artistas e técnicos participantes, o espetáculo tem tudo para ser soberbo.

Pena que o estádio começa a ser símbolo da corrupção ampla, geral e (quase) irrestrita em vigor no Brasil.

(O blog está no Facebook e no Twitter )


Brasil vai se classificar para a Copa de 2018; com Tite, torcida aumenta
Comentários 1

Mário Magalhães

De novo, um técnico que se comove com a seleção – Foto Reinaldo Canato/UOL

 

Não tem como o Brasil ficar fora da Copa da Rússia.

Vai se classificar. Em campo, sem recorrer aos tapetões da vida.

O prognóstico _ou certeza_ não é novidade. O blog cravou-o, no ano passado.

Se as Eliminatórias para o 21º Mundial terminassem hoje, estaríamos perdidos.

E daí? Há tempo para a volta por cima.

O melhor é que a torcida, a minha pelo menos, terá menos resistências de cabeça e coração.

Sobrevivem Del Nero e sua famigerada turma no comando da CBF.

Mas se foi o treinador que fazia do ressentimento o combustível e do ódio a razão de viver.

Em vez de Dunga e seu rancor com o escrete de Telê-1982, Tite, proclamando devoção ao time imortal de Zico, Falcão, Sócrates e Cerezo.

Sai o sujeito que bravateia só ter medo da morte, desdenhando da seleção.

Entra quem se comove por ter chegado aonde chegou. Com pernas bambas, lágrimas nos olhos.

Temos jogadores e técnico para conquistar um lugar na Copa de 2018.

A seleção não é de Del Nero, como não foi de Teixeira e Havelange.

Agora, dá mais gosto ainda torcer por ela.

(O blog está no Facebook e no Twitter )