Blog do Mario Magalhaes

Rio: na 5ª-feira, Marcelo Backes lança ‘A casa cai’ na Travessa de Ipanema
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Mário Magalhães

blog - marcelo backes a casa cai

 

Se “A casa cai'' estiver à altura de “O último minuto'', é um livraço.

Ainda não li “A casa cai'', novo romance de Marcelo Backes que será lançado na quinta-feira na Travessa de Ipanema, a partir das sete da noite.

Mas devorei e adorei “O último minuto'', livro anterior do Marcelo, também editado pela Companhia das Letras.

Na ficção do ano passado, o protagonista é um treineiro de futebol saído das bandas das Missões, ali onde costeamos o alambrado da fronteira com a Argentina. O gaudério engole o mundo, feito um Guaíba, até o mundo o engolir.

O cenário de “A casa cai'' é o Rio.

Assim a Companhia apresenta obra e autor:

“Marcelo Backes é um dos mais respeitados tradutores do Brasil. Verteu para o português obras de clássicos da literatura em língua alemã, tais como Kafka, Goethe, Schiller e Heine.
Recentemente, Backes deu início a uma bem-sucedida carreira de romancista. Em 2013, lançou O último minuto. Sucesso de crítica, o livro traz a história de João, o vermelho, um treinador de futebol que narra, da prisão, sua história de vida a um jovem seminarista.
Em A casa cai, o espectro de João está por toda parte. O narrador do livro é o mesmo padre que, no livro anterior, se encantara por sua história. Ele largou a batina e agora está no Rio de Janeiro, incumbido de uma missão para a qual não se sente preparado: administrar a herança recebida do pai, que acaba de morrer.
O destino o joga no centro do mundo de frivolidades dos endinheirados cariocas. Os vernissages de artistas da moda, os apartamentos de frente para o mar no Leblon, as reformas feitas por arquitetos descolados, as tardes à toa no Country Club de Ipanema.
Backes dá feição literária a um fenômeno típico dos nossos tempos: a explosão do mercado imobiliário, com todas as consequências que isso traz para as metrópoles brasileiras, com a gentrificação de regiões inteiras e a expulsão dos pobres para áreas cada vez mais afastadas.
Mais uma vez, o autor brilha com sua prosa exuberante, feita de lirismo, eloquência e acuidade social''.

Para ler um trecho de “A casa cai'' em PDF, basta clicar aqui.

No Ig, o Rodrigo de Almeida escreveu sobre o livro e  conversou (aqui) com Marcelo Backes, o escriba sósia do jovem Trótsky.

Até a quinta, na Travessa!

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Homossexualidade é ‘pecado’, disse Crivella na sabatina. Eu: ‘Pecado!?!’
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Mário Magalhães

 

Ao lado dos colegas Isabele Benito, Kennedy Alencar e Humberto Nascimento, participei na sexta-feira da sabatina UOL-SBT com o senador Marcelo Crivella, candidato do PRB a governador do Rio.

Na antevéspera, havíamos sabatinado o governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB, o outro concorrente do segundo turno (veja aqui).

A íntegra da conversa com Crivella pode ser assistida clicando na imagem do alto ou aqui.

Transcrevo abaixo o diálogo que trata da convicção do candidato sobre a homossexualidade como pecado.

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*

MM: Senador, se a questão fosse religiosa, eu não voltaria ao assunto, porque cada um tem o direito de ter a sua crença e de manifestar a sua crença. Mas há interesse público, um candidato a governador do Estado. Os poetas compuseram e cantaram o lindo verso “Qualquer maneira de amor vale a pena''. Mas, como o preconceito e o ódio persistem, só no ano passado pelo menos 312 cidadãos e cidadãs foram assassinados no Brasil por motivações homofóbicas. Uma morte a cada 28 horas. Recorde mundial. O senhor, outro dia, afirmou que considera a homossexualidade um pecado. O senhor tem ideia de como tal convicção e tal declaração, na boca de um homem público, podem significar um incentivo à discriminação, à intolerância, à violência e ao ódio?

Crivella: De jeito nenhum!. Isso é absolutamente…

MM: Pecado, senador!?!

Crivella: Ué, você quando se refere a alguma coisa de ser pecado o que você está querendo expressar é a sua sinceridade e a sua convicção, que é um direito seu. Agora, com amor e respeito. Eu não estou dizendo aqui que é uma inquisição, nem para perseguir, nem para colocar na cadeia, nem que é doença, nem incentivar…

MM: Mas que é pecado.

Crivella: Mas que é pecado.

MM: Por quê?

Crivella: Porque é o que a Bíblia diz, e eu creio nela. O senhor não crê, mas eu creio, é um direito meu.

MM:  Não coloque palavras na minha boca. Em que passagem a Bíblia diz que a homossexualidade é pecado?

Crivella: Ah, em várias passagens. Agora, o senhor também me respeite, não coloque na minha boca…

MM: Eu estou perguntando. O senhor é o candidato ao governo do Estado.

Crivella: Eu sei, mas eu mereço respeito também. E espero que o senhor me dê…

MM: Como eu estou respeitando o senhor.

Crivella: Você não deixa eu acabar de falar. Eu acho que respeito é a gente ouvir. Eu ouço o senhor, me ouça também.

MM: Sem colocar nada na boca alheia.

Crivella: Exatamente. Em várias passagens a Bíblia fala isso, e eu creio na Bíblia. Agora, isso não se expressa de maneira nenhuma como o senhor colocou nesse texto. Esse texto que o senhor colocou aí é completamente contra o espírito da Bíblia. Quando tem na Bíblia os pecados, é um alerta, é uma maneira de você tentar dizer para a pessoa de um caminho melhor. Que você acha que é melhor, pode ser que ela não ache. E você vai divergir com ela, e ambos vão se respeitar e conviver perfeitamente. Deixa eu lhe dizer uma coisa: na minha família tem pessoa homossexual que convive comigo há anos, e vivemos bem. No meu gabinete tem também. Então não vai ser o senhor agora que vai me ensinar como me comportar ou me dar uma lição de ética que eu já pratico na minha vida.

MM: O senhor discorda do Milton e do Caetano quando eles dizem que qualquer maneira de amor vale a pena?

Crivella: É uma convicção deles, mas eles têm que respeitar a minha. É assim que é a democracia, a gente se respeita mutuamente. O que não pode é eu dizer para eles que têm que seguir a minha, e eles dizerem para mim que eu tenho que seguir a deles. Cada um, na vida pública e na democracia, tem as suas convicções. Isso é da liberdade, é da justiça.


Na sabatina, perguntei 4 vezes a Pezão: ‘Cadê o Amarildo?’ Veja a resposta
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Mário Magalhães

 

Nesta quarta-feira, tive a oportunidade de pela primeira vez perguntar frente a frente ao governador do Rio e candidato à reeleição Luiz Fernando Pezão (PMDB): “Cadê o Amarildo?''.

Foi na sabatina UOL-SBT. Participei com os colegas Isabele Benito, Kennedy Alencar e Humberto Nascimento.

Hoje, sexta-feira, a sabatina será com o candidato Marcelo Crivella (PRB), a partir das 18h45.

A íntegra da sabatina com Pezão pode ser assistida clicando na imagem do alto ou aqui.

No vídeo, a conversa sobre o Amarildo está mais no começo, a partir de 3 minutos e 6 segundos.

Abaixo, transcrevo o diálogo.

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MM: Governador, o esquecimento é amigo da barbárie. Ontem à noite fez um ano e três meses que o operário da construção civil Amarildo de Souza foi detido por policiais da UPP da Rocinha e desapareceu para sempre. No último debate do primeiro turno, um adversário seu indagou pelo paradeiro do Amarildo. Primeiro, o senhor riu. Depois, tergiversou. Há interesse público nessa questão, o que define a legitimidade jornalística da pergunta: governador Pezão, por favor, o senhor poderia responder, objetivamente, cadê o Amarildo?

Pezão: Mário, eu ri da maneira que ele perguntou. Todo o auditório que estava ali, todos os candidatos que estavam ali riram porque ele perguntou de uma forma…

MM: Eu, em casa, não vi graça, governador.

Pezão:  O quê?

MM: Eu não vi graça…

Pezão: O jeito que ele perguntou. Agora, é muito triste e cruel ter sumido esse operário. Quem cortou na própria carne fomos nós. E quem descobriu que o Amarildo tinha sido conduzido pelos policiais foram as nossas câmeras de monitoramento lá dentro da Rocinha. Um território que quando nós chegamos aqui, de 101 mil pessoas, onde as pessoas moravam ali em São Conrado, atravessavam uma avenida e caíam num mundo ilegal. Então nós descobrimos. As investigações foram nossas.

MM: O corpo do Amarildo nunca foi entregue à família.

Pezão: Mas tem uma investigação, tem policiais presos, pelo monitoramento que nós fizemos dentro dessa comunidade. Não se entrava dentro da Rocinha. Não tinha uma delegacia dentro da Rocinha Hoje você vai lá tem uma delegacia lá dentro, que permite que a gente vá lá e cumpra mandado de prisão. Tem 800 homens dentro da Rocinha. Então nós estamos investindo na segurança. Eu não quero aqui acobertar nenhum erro de nenhuma parte dos policiais. Foi chocante para o nosso governo e para a nossa polícia, para a área de segurança. A gente sofreu com o desaparecimento desse operário. E o que eu estou me propondo cada vez mais é investir na formação desse policial, melhorar cada vez mais a formação desse policial, fazer o que a gente está fazendo. Antigamente, aqui no Estado, quem ia dar instruções para um PM que ia se formar, que passou no concurso… era uma penitência, uma pessoa que tinha cometido um erro ia dar aula, era instrutor. Hoje nós temos um banco de talentos onde os professores recebem uma hora-aula melhor do que um professor da UFRJ…

MM: E eu pergunto novamente, governador: cadê o Amarildo?

Pezão: Nós investigamos, a Secretaria de Segurança investigou, os policiais estão presos, está tendo um inquérito, está seguindo o rito que manda todo o processo. Agora…

MM: Cadê o corpo para a família poder enterrar?

Pezão: Mário, sumiam não era um Amarildo nesse Estado, não. Eram diversos Amarildos por dia.

MM: O senhor tem falado isso, governador, mas pergunta é: cadê o Amarildo?

Pezão: Mário, nós estamos num regime democrático, a polícia está investigando, o inquérito está correndo…

MM: Eu nunca mais ouvi falar de investigação para encontrar o corpo do Amarildo.

Pezão: Está na Justiça, vai para a Justiça…

MM: A Justiça não investiga, governador.

Pezão: Vai ter o julgamento desses PMs, eles vão ser lá, vai ter o inquérito, seguir o processo.

MM: Isso o julgamento. Mas a investigação para encontrar o corpo e entregar para a família, para a família ter o direito de enterrar, se despedir do Amarildo.

Pezão: A Delegacia de Homicídios nossa, Mário, saiu de 4,5% de elucidação de crimes nesse Estado para 27,5%. Não é o ideal, mas o aumento é significativo. E nós estamos investindo. É um processo. Nós contratamos 1.500 policiais civis, 150 delegados, e vamos continuar a investir em segurança pública. Agora, é bom ressaltar que todas essas comunidades que nós ocupamos, onde hoje têm mais de 450 mil pessoas libertas, sumiam diversos Amarildos por dia.


Hoje, na Travessa de Ipanema: Heloisa Seixas lança ‘O oitavo selo’
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Mário Magalhães

 

Enfim, chega às livrarias um dos livros mais esperados dos últimos anos: Heloisa Seixas lança nesta quinta-feira no Rio “O oitavo selo'' (Cosac Naify).

A partir das 19h30, na Travessa de Ipanema.

O protagonista do “quase romance'' é Ruy Castro, marido da autora.

A consagradora crítica de Marcelo O. Dantas sobre “O oitavo selo'', publicada na “Folha'', pode ser lida clicando aqui.

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Baixaria de tucanos contra Chico em 2014 é igual à de petistas em 2012
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Mário Magalhães

Alguns militantes e simpatizantes do PSDB estão descendo o sarrafo em Chico Buarque devido ao apoio dele à reeleição de Dilma Rousseff, sacramentado agora em vídeo.

É mais do que descer o sarrafo: uma tremenda baixaria.

Para quem tem memória fraca ou não acompanhou: dois anos atrás, alguns militantes e simpatizantes do PT também avacalharam Chico, no mesmo tom.

Tudo porque em 2012 o artista apoiou Marcelo Freixo, do PSOL, à Prefeitura do Rio.

Como o PT estava _e ainda está_ fechado com Eduardo Paes, do PMDB, sobreveio a baixaria contra o filho de Memélia e Sérgio.

A matéria-prima de hoje e de ontem é idêntica: a intolerância com ideias e escolhas alheias.

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Aécio cita mar de lama, mote golpista em 54 e 64; Tancredo treme no túmulo
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Mário Magalhães

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Carlos Lacerda em 1967, 13 anos após o suicídio de Getulio Vargas – Foto Folhapress

 

Se o vencedor de um debate televisivo é quem vende melhor seu peixe, seja pescado fresco ou com odores suspeitos, Aécio Neves (PSDB) levou o da Band, encerrado na madrugada de hoje.

Em matéria de conteúdo, Aécio também se destacou, contra sua oponente Dilma Rousseff (PT). A questão é qual conteúdo.

A certa altura do entrevero, digo, debate, discorrendo sobre a roubalheira na Petrobras, o tucano empregou a expressão “mar de lama''.

Além de imprópria, a começar pelo fato de que nem mesmo o senador insinua que a presidente da República seja mão-leve, a fórmula “mar de lama'' foi o mote de uma das mais sinistras conspirações golpistas da história republicana do Brasil: a que levou ao suicídio do presidente constitucional Getulio Vargas na manhã de 24 de agosto de 1954, horas depois de ser virtualmente deposto.

E olha que sessenta anos atrás Getulio era acusado de ter ordenado o atentado que resultou em ferimento a bala do jornalista de oposição Carlos Lacerda e na morte do major-aviador Rubens Vaz. Jamais surgiram indícios dignos de confiança sobre a participação de Vargas no plano contra o “Corvo'', como os partidários do gaúcho desqualificavam Lacerda.

Em suma, “mar de lama'' evoca leviandade, mentira, desprezo pela legalidade e aversão à democracia.

Apelar a tal expediente é mais grave no caso de Aécio, que não é um mentecapto: o ministro da Justiça de Getulio Vargas, na quadra sombria de 1954, era Tancredo Neves.

Ao contrário de muitos traíras, Tancredo batalhou até o fim contra a turma que alardeava haver um “mar de lama'' de responsabilidade do governo.

Em 1964, os golpistas que haviam recuado depois da morte de Getulio voltaram à carga e derrubaram o presidente João Goulart num golpe de Estado contra o Brasil. Qual era o mantra dos opositores de Jango? “Mar de lama'', “mar de lama'', “mar de lama''…

Primeiro-ministro no arremedo de parlamentarismo improvisado em 1961, com Goulart na Presidência, Tancredo Neves deixaria a função, mas permaneceria político influente. Na virada de março para abril de 1964, ele novamente desfraldou a bandeira da legalidade, contra o golpe. E contra a pregação sobre o dito “mar de lama'', cujo porta-voz mais ruidoso era, adivinha, Carlos Lacerda.

O constrangimento para Aécio não é a árvore genealógica. Ninguém é obrigado a sair aos seus.

Mas o tucano não se cansa de mostrar na TV a convivência e a parceria com o avô Tancredo.

Pelo visto, aprendeu pouco.

Hoje, o simpático mineiro que só subiu morto a rampa do Planalto deve estar esperneando no túmulo, ao ver o neto, como um simulacro de Lacerda, recorrer ao “mar de lama'' para ganhar a eleição.

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