Blog do Mario Magalhaes

Livro-CD conta história de Aluísio Machado, autor de ‘Bumbum Paticumbum…’
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Mário Magalhães

blog - livro cd aluísio machado

 

Nesta segunda-feira, 6 de julho, é dia de lançamento do livro-cd “Aluísio Machado: sambista de fato, rebelde por direito'', de autoria de Luiz Ricardo Leitão.

A partir das 19h, no Centro Cultural da Uerj.

Com sessão de autógrafos e, entrada franca, show com o protagonista do livro.

Você pode não ligar o nome à pessoa, mas já cantou muitos sambas criados por Aluísio.

Seis vezes ganhador do Estandarte de Ouro, ele compôs em parceria com Beto Sem Braço “Bumbum Paticumbum Prugurundum'', samba-enredo do Império Serrano campeão em 1982.

Ainda nos tempos da ditadura, Aluísio deu o toque com sutileza e poesia, em “Minha filosofia'', cantada pro Alcione (ouça clicando aqui).

Leitão, o autor do ensaio biográfico, é professor de literatura na Uerj.

O livro marca a estreia da série Acervo Universitário do Samba, co-edição DECULT-UERJ e Outras Expressões.

O CD tem oito músicas de Aluísio Machado, sete delas inéditas, com direção musical da maestrina Ilana Linhales Rangel.

Até a segunda, na Uerj!

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Alemanha, bravo, julga funcionário nazi; Brasil, pena, eterniza impunidade
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Mário Magalhães

Oskar Gröning, funcionário de Auschwitz – Foto Julian Stratenschulte/AFP

 

A imagem talvez toque os corações: um ancião de 93 anos no banco dos réus, podendo pegar uma cana de década e meia.

Mas é justo que Oskar Gröning sente na cadeira dos acusados, como nesses dias na Alemanha.

Funcionário nazista conhecido como “o contador de Auschwitz'', ele trabalhou como guarda naquele campo de concentração.

Foi denunciado por cumplicidade na morte de 300 mil judeus.

Entre outras funções, o alemão recolhia _ou melhor, participava do roubo_ pertences dos prisioneiros levados para lá.

Eventual perdão para o criminoso Gröning, que também integrou uma tropa de elite nazista, é prerrogativa pessoal.

Não pode ser concedido pelo Estado. Nem pela história.

Sua presença tardia, mas bem-vinda, no tribunal é um alerta às gerações: não repitam o que fizeram, porque haverá punição, ou no mínimo julgamento.

No Brasil, agentes públicos que durante a ditadura (1964-1985) surraram, estupraram, torturaram, assassinaram, sumiram com os corpos de cidadãos sob custódia do Estado continuam sem ser julgados e condenados.

O recado é outro: podem aprontar de novo, não dá em nada, vigora a impunidade.

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Do Chile, somente Vidal e Bravo teriam lugar garantido na seleção argentina
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Mário Magalhães

Memorabilia: meu ingresso para a final da Copa América 95, em Montevidéu

Memorabilia: meu ingresso para a final da Copa América 95, em Montevidéu

 

De toda a seleção chilena, acho que só dois jogadores teriam vaga incontestável na Argentina, rival dos anfitriões na decisão da Copa América: Bravo, titular do Barcelona no triunfo no Campeonato Espanhol, e Vidal, craque da Juventus campeã italiana.

Embora o desempenho dos dois na Copa América esteja aquém do que demonstraram na temporada europeia, são superiores a Romero, no gol, e, mais ainda, a Biglia, no meio-campo.

Isso quer dizer que o time de Messi terá moleza amanhã em Santiago? Claro que não.

Pode perder, se a torcida influenciar demais.

Se estiver afiado o quinteto bom de bola chileno (Vidal, Sanchéz, Valdivia, Aránguiz e Vargas).

Se a defesa visitante não se apresentar segura como na Copa do Mundo do ano passado.

E se os defensores da casa superarem suas limitações técnicas, anulando o espetacular ataque argentino.

Para quem gosta de futebol vistoso, com ambições ofensivas, é um prazer a final entre as duas equipes que jogam mais bonito.

Nesta semana, mexendo numas pastas à procura de documentos antigos, deparei-me com o ingresso reproduzido lá no alto.

Foi para a finalíssima da Copa América de 1995, disputada no Uruguai.

Daquela competição que cobri ao vivo, lembro-me de um gol do Túlio, contra a Argentina, depois de dominar a bola com o braço.

Do pênalti que o mesmo Túlio desperdiçou na série de cobranças no estádio Centenário, onde os uruguaios nos venceram e se sagraram campeões.

E do privilégio de assistir a Enzo Francescoli, um dos mais elegantes meias que conheci.

Considerando Messi atacante ou hors concours, nenhum dos jogadores que vão a campo amanhã ostentam a categoria do grande Francescoli.

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Meia-noite na história: votação escancara voracidade de projeto de poder
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Mário Magalhães

Mais famélicos que canibais; por Angeli, hoje na "Folha"

Mais famélicos que canibais; por Angeli, na “Folha'' de hoje

 

Já passava da meia-noite quando a proposta de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos recebeu na Câmara o apoio de que necessitava para avançar.

A meia-noite é também metáfora do país deprimido.

Assim como parece pegadinha do destino a votação ocorrer em um 2 de julho, data gloriosa que celebra a valentia baiana que arrancou a Independência de armas na mão, e não nos tantos acordos acochambrados da nossa história.

Sob o comando de Eduardo Cunha, ganharam Jair Bolsonaro, Marcos Feliciano, Paulo Maluf, Paulinho da Força, Luiz Carlos Heinze.

Se esses deputados ganharam, sabemos quem perdeu: os mesmos que há cinco séculos levam de 7 a 1.

Caso o obscurantismo prospere, uma primeira consequência provável será o recrutamento mais intenso de adolescentes de 14 e 15 anos para atividades criminosas.

De novo, todo mundo sabe, até quem finge não saber, quem serão os mais vulneráveis à bandidagem em busca de mão-de-obra: negros e pobres.

Em vez de oferecer formação, oportunidades e talvez redenção para jovens no desvio ou tentados por ele, o Estado lhes imporia a especialização no crime.

Punição tem de haver _ignoro quem se oponha.

Mas uma coisa é punir estipulando o castigo como fim.

Outra é punir e ensinar.

Numa hipótese, novos e mais graves crimes viriam.

Noutra, a chance de recomeço menos violento e desgraçado seria maior.

A certa altura da sessão da Câmara, um partidário do rebaixamento da maioridade mencionou “os a favores'' de certas teses.

Sem querer, reforçou a convicção de que o país precisa de mais e melhores escolas, e não de mais presídios.

Um correligionário dos “a favores'' vociferou, sobre a juventude infratora, a velha tirada fascista “então leva pra casa''.

Se alguém sugerisse o restabelecimento da escravidão, sei não, tal o furor.

O primeiro passo para mudar a maioridade penal foi imposto no tapetão, depois da derrota de projeto quase igual 24 horas antes.

O presidente exibiu controle sobre a Casa pouco compatível com democracias.

Sua ambição ficou clara outro dia, quando incensou o parlamentarismo, sistema que permitiria a um político como ele ocupar o Planalto sem o voto direto dos cidadãos.

Contudo, o que mais marcou a madrugada não foi autoritarismo de Eduardo Cunha, manobra regimental ou eventual desrespeito à Constituição.

E sim a voracidade de um projeto de poder.

Derrotados na véspera, os interesses políticos e sociais galvanizados em torno de Cunha não sossegaram.

Não pretendem se restringir ao parlamento. Querem mais do que legislar e influenciar. Almejam governar, sem intermediários.

Sua pauta conservadora impõe a regressão nos direitos humanos, ataca a tolerância, eterniza desigualdades, ofende valores humanistas, abole conquistas sociais.

Já são o tronco da Câmara, mas não maioria.

Vencem porque atraem outros segmentos.

Para rebaixar a maioridade, os aliados são uns.

Para violentar direitos trabalhistas, outros.

Querem mais e mais e mais.

É meia-noite na história do Brasil.

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Demodê: na Grécia, surpresa é governo que ousa cumprir promessa de campanha
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Mário Magalhães

Alexis Tsipras, primeiro ministro grego

Alexis Tsipras, primeiro-ministro: o prometido é devido – Foto Reuters

 

De todo o rolo na Grécia, o que mais surpreende não é o que faz o governo liderado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras.

E sim que faz o prometido na campanha eleitoral: recusar as chantagens e ultimatos da União Europeia (em especial a Alemanha), FMI, bancos e bambambãs das finanças.

Negocia aqui, mobiliza acolá; propõe acordos, mas vai à luta.

Se é para aceitar a proposta que ele prefere recusar, cabe ao povo se pronunciar.

Por isso, o primeiro-ministro manteve o referendo popular para o domingo.

Se for para dar um passo não avalizado pelo programa apresentado aos gregos, só com respaldo da maioria dos eleitores.

O partido-aliança Syriza se elegeu propondo combater o arrocho, vulgo ajuste, que rebaixa brutalmente as condições de vida da maioria dos gregos, sobretudo os mais pobres.

É o que vem fazendo.

Pode-se achar certa ou errada a política do Syriza e de Tsipras. Mas que eles seguem o preceito do prometido é devido, até aqui seguiram.

Isso parece demodê: honrar promessas de campanha e a soberania da decisão dos cidadãos.

Eis a grande novidade da temporada.

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De vez em quando a civilização ganha uma (pelo menos por enquanto…)
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Mário Magalhães

No começo da madrugada de hoje, a redução da maioridade penal perdeu na Câmara.

Viva! Nem todo dia é dia de 7 a 1.

Como no futebol, parece que querem apelar ao tapetão, votando uma variante da proposta de gastar mais com cadeias, em vez de escolas.

Tomara que os arautos da bala e da barbárie percam de novo.

A charge é do Benett, hoje na “Folha''.

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blog - benett maioridade penal


Ao bajular Kissinger, Dilma tripudia sobre sua própria história
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Mário Magalhães

A presidente Dilma (à dir.) cumprimenta o ex-diplomata americano Henry Kissinger em Nova York

O padrinho de torturadores e a brasileira torturada – Foto Roberto Stuckert Filho/Presidência/AFP

Estádio Nacional: “Um povo sem memória é um povo sem futuro'' – Foto www.tenfield.com.uy

 

Só um parvo juramentado ignora que não está na moda zelar por sua própria história, no caso de quem tem uma história digna de zelo.

Ainda assim, é assombrosa a sem-cerimônia com que a presidente da República tripudia sobre o seu passado.

Nesta segunda-feira melancólica, Dilma Rousseff não somente se encontrou com Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA, como adulou-o sem resquício de pudor. Na apoteose da bajulação, incensou-o como “pessoa fantástica, com grande visão global”.

De 1970 a 1972, a valente guerrilheira Dilma amargou a prisão por lutar contra a ditadura. Foi torturada com choques elétricos e pancadas, padeceu no pau-de-arara, conheceu a barbárie.

Nessa época, o governo dos Estados Unidos apadrinhava a ditadura brasileira que consagrara como orientação de Estado a tortura contra adversários políticos. Kissinger era conselheiro de Segurança Nacional, influenciando decisivamente a política externa da Casa Branca.

Em 1973, ele assumiu o posto equivalente ao de ministro das Relações Exteriores. Como “conselheiro'' manda-chuva, na bica de se tornar secretário de Estado, articulou com golpistas chilenos a deposição do presidente constitucional Salvador Allende.

No Estádio Nacional, em Santiago, cidadãos foram torturados, executados e tiveram os corpos sumidos para sempre. Um deles foi o exilado brasileiro Wanio José de Matos.

Kissinger batizou e protegeu outras ditaduras que exterminavam à margem da suas já autoritárias leis, como a da Argentina e a do Uruguai.

Henry Kissinger simboliza o horror. É ídolo de viúvas da ditadura. Abençoa conspiradores contra a democracia. Inspira golpistas que rejeitam a soberania das urnas. Representa os valores contra os quais a presidente brasileira dedicou boa parte de sua vida.

Num dia, Dilma chora pela memória do amigo e companheiro de lutas Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto, “desaparecido'' em 1971.

Noutro, rasteja diante de Kissinger, “pessoa fantástica''.

Lágrimas por Beto não combinam com o servilismo diante do cúmplice dos assassinos de Beto.

O propósito do beija-mão seria trazer investimentos estrangeiros ao Brasil.

Um erro. Não é fulminando a decência, ao sabujar o grande articulador dos regimes da tortura e fiador da Operação Condor, que se constrói uma nação.

Pouco antes de saber do convescote em Nova York, assisti pela TV à semifinal da Copa América, triunfo do Chile sobre o Peru.

O jogo foi no Estádio Nacional, onde o brasileiro Wanio foi visto pela última vez.

Continua lá, no antigo campo de concentração, pintado junto à arquibancada, um apelo às novas e velhas gerações: “Um povo sem memória é um povo sem futuro''.

Os estádios também dão suas lições.

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Elite celebra Nordeste no São João, mas diz que nordestino não sabe votar
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Mário Magalhães

Festa de São João em Campina Grande – Foto Gustavo Magnusson/Fotoarena/Folhapress

 

Se eu fosse antropólogo ou cientista político, tentaria entender o paradoxo: certa elite que Brasil afora celebra a cultura do Nordeste nas festas de São João é a mesma que, quando seus candidatos prediletos malogram em eleições, diz que os nordestinos não sabem votar.

Um dos maiores prazeres do arraiá junino é, em quase todos os Estados, ouvir músicas do pernambucano Luiz Gonzaga e do cearense Humberto Teixeira. E comer iguarias nordestinas só encontradas, por muitos, de ano em ano.

Nas festas frequentadas sobretudo pela classe média alta para cima, como combinar a reverência ao mundo nordestino desqualificando a gente cidadã do Nordeste?

Como o carinho faz tabelinha com o desprezo?

Vai saber…

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Ao culpar ‘um atleta’ por eliminação, Del Nero abusa da covardia
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Mário Magalhães

Del Nero, em meio a sombras - Foto Daniel Marenco/Folhapress

Del Nero, em meio a sombras – Foto Daniel Marenco/Folhapress

 

Surpreendente não é, mas Marco Polo Del Nero ousou culpar “um atleta'' pela eliminação do Brasil na Copa América.

Foi o que ele disse, ou melhor, escreveu, e vale o escrito.

Escreveu aos repórteres Sérgio Rangel e Marcel Rizzo, como se lê clicando aqui.

Eis trecho de mensagem digitada pelo presidente da CBF: “As seleções [que disputarão com a nossa as Eliminatórias da Copa 2018] estão no mesmo nível, com favoritismo argentino por conta de possuir no elenco o atleta Messi. A nossa foi desclassificada [da Copa América] por um erro de um atleta''.

Sem dar nome, Del Nero se referiu a Thiago Silva (fez pênalti no tempo normal contra os paraguaios), Neymar (não atuou porque pegou quatro jogos de gancho), Douglas Costa ou Éverton Ribeiro (estes dois desperdiçaram penais na série de cobranças do sábado).

Noutras palavras, o cartola afirmou:

1) que José Maria Marin, presidente da CBF quando Dunga foi contratado, e hoje preso na Suíça, não tem responsabilidade pelo desastre;

2) que o próprio Del Nero, ao se ausentar do Chile (medo de ir em cana?), não enfraqueceu politicamente a delegação no jogo de interesses de bastidores;

3) que Dunga não tem culpa alguma pela equipe horrorosa;

4) que a cobrança deve ser somente em relação aos jogadores. O fiasco, que é coletivo, seria obra só dos boleiros.

É covardia demais.

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