Blog do Mario Magalhaes

Biografias, censura prévia, futebol e ditadura: entrevista ao Portal EBC
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Mário Magalhães

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No domingo, tive a honra de participar de um debate sobre futebol e ditaduras, ao lado de Eduardo Galeano, Lúcio de Castro e Rodrigo Merheb.

Mais testemunhei, pois os caras são craques, do que participei. Foi na II Bienal Brasil do Livro e da Leitura, em Brasília.

Mais tarde, dei uma breve entrevista ao Portal EBC. Para assisti-la, basta clicar na imagem acima.


Ao ressuscitar ‘campeão moral’, cartolas insultam inteligência de vascaínos
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Mário Magalhães

Imagem que a diretoria pede que torcedores exibam nas redes sociais

 

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A quem interessar possa, evitando aporrinhações paranoicas e baixarias ressentidas: tenho pai, dois irmãos, uma irmã e até a sogra vascaínos (o último irmão é gremista).

Sou Flamengo.

Se fosse Vasco, estaria bronqueado não somente com a garfada do domingo, mas com a diretoria do clube, que encena protestos nos quais só acreditam os que se deixam ludibriar.

A cartolagem falou em buscar na Justiça a anulação da decisão contra o Flamengo devido ao gol em impedimento que deu o título ao adversário.

Como sabe qualquer recém-nascido, não se anula partida por equívoco como o do Maracanã. O impedimento não foi notado pelo árbitro Marcelo de Lima Henrique e seus auxiliares, mas também pelo time cruzmaltino, que só chiou depois de saber o que mostravam as imagens da TV.

Outro factoide é a tal ação que tentaria ressarcir os cofres do clube pelo dinheiro perdido com a derrota no Campeonato Estadual.

Roberto Dinamite e seus pares sabem muito bem que isso não ocorrerá, porque a lei não permite esse tipo de indenização.

O mais constrangedor é chamar seus jogadores de “verdadeiros campeões” (leia aqui).

Os verdadeiros campeões são rubro-negros.

Caso contrário, estaria na hora de mudar  o resultado de Copas do Mundo.

O pênalti contra o Brasil, no Mundial do Chile-62, evitado pela malandragem de Nilton Santos, que caminhou para fora da área, significaria a cassação do nosso bi?

“Campeão moral” foi a cascata inventada pelo grande técnico Cláudio Coutinho, ao cair na Copa da Argentina-78.

O Brasil foi passado para trás, mas aceitara o regulamento maroto em que os anfitriões jogariam depois de nós, sabendo do placar necessário, contra o Peru, para nos eliminar. A seleção foi pusilânime, ao aceitar o empate contra os argentinos.

Campeão moral? Enrolação do capitão (do Exército) Coutinho que só os Pachecos mais ingênuos engoliram.

Roberto Dinamite e sua turma levaram o Vasco para a segunda divisão do Brasileiro.

Pior ainda, não romperam com as jogadas de Eurico Miranda, mas as renovaram, agora com novos beneficiários.

Toda a encenação em curso pretende que os vascaínos esqueçam o estado deprimente do clube.

O Vasco foi garfado, sim, no domingo.

O que não dá aos seus cartolas o direito de insultar a inteligência dos torcedores, embalando-os com ilusões nas quais só acredita quem quer.

Como disse Dé, ex-atacante do clube, conforme a coluna de hoje do Ancelmo Gois: “O Vasco é maior do que tudo isso. Eu mesmo, quando jogava no Vasco, fui muitas vezes beneficiado por erro de juiz. Isso acontece. Fica parecendo que o juiz só erra contra o Vasco”.

Foi o Dé quem disse, não eu, que apenas concordo com ele.


Argentina é a primeira seleção completa no álbum. Será um sinal?
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Mário Magalhães

blog - album argentina

 

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A moleca de 13 anos chega da escola com 18 novas figurinhas, recém-trocadas.

Faltava um jogador, Marcos Rojo, para completar a seleção argentina.

Não falta mais. “Será um sinal?”, pensa alto a minha filha.

Para o guri de 7 anos, o cromo não “é” Marcos Rojo, e sim o “419″.

Numa das barbaridades do álbum da Copa 2014, não se sabe quem é o jogador que falta, pois seu nome não é impresso nas páginas.

Buscamos números, não jogadores. Só ficamos sabendo de quem se trata ao conseguir, como no caso, o 419.


‘Se querem apitar pela TV, mudem regra do jogo’, diz árbitro de Fla x Vasco
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Mário Magalhães

Flamengo, 33 vezes campeão do Rio – Foto Julio Cesar Guimaraes/UOL

 

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Marcelo de Lima Henrique, o árbitro que validou o gol em impedimento que deu o título do Rio ao Flamengo, disse ao repórter Alysson Cardinali, de “O Dia”:

“Me sinto tranquilo. Triste, mas tranquilo. Era uma final de campeonato, com duas grandes equipes, uma partida equilibrada, cheia de rivalidade, um Flamengo x Vasco. A repercussão, para o bem ou para o mal, foi compatível com o peso do clássico. Eu trabalho todos os dias para fazer o melhor. Dei o meu melhor no Maracanã. Agora, hoje, existe o jogo do campo e o jogo da TV. Se querem apitar pela TV, que mudem as regras do jogo”.

O árbitro não viu que Márcio Araújo estava impedido, no gol decisivo no finalzinho do clássico contra o Vasco.

Não foi só ele: o time vascaíno não protestou, ao menos em peso, na hora, mas só depois de saber que as imagens em movimento expuseram a irregularidade.

Marcelo, reconhece, com razão (a entrevista pode ser lida na íntegra clicando aqui):

“A arbitragem perdeu para a tecnologia. O que vamos fazer para melhorar? A entrada da tecnologia. Uns vão acertar, outros errar. É assim mesmo, é uma coisa secular. Os olhos humanos nunca vão competir com a tecnologia. Os lances do campo só foram discutidos com replay. Se não fosse a tecnologia, nem estaríamos discutindo sobre isso agora”.

Garfado na Taça Guanabara, garfado na decisão do Estadual. Pobre Vasco.


São Paulo: nesta quarta-feira, Flávio Tavares lança ’1964: O Golpe’
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Mário Magalhães

 

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O jornalista Flávio Tavares lança nesta quarta-feira, em São Paulo, o livro “1964: O Golpe” (L&PM Editores).

A obra reconstitui a participação do governo dos Estados Unidos na deposição do presidente João Goulart.

O lançamento de amanhã será na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Às 19h, o autor debate com o dramaturgo e escritor Walcyr Carrasco.

Em seguida, rola sessão de autógrafos.


Furo! Cartaz revela para onde vai chapa Eduardo-Marina. Esquerda? Direita?
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Mário Magalhães

blog - eduardo, marina - cartaz

 

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Em Brasília

Hospedado no Hotel Nacional, em Brasília, deparei-me com o cartaz acima no começo da tarde desta segunda-feira.

Logo depois, no mesmo local, Eduardo Campos, na cabeça, e Marina Silva, vice, anunciariam a dobradinha para concorrer à Presidência.

Talvez o cartaz tenha sido, sem querer, mais claro do que muitos comentaristas de política: é difícil saber para onde vão Eduardo e Marina.

Oposição de esquerda ou de direita? Se disserem que tais valores não existem mais, já terão feito sua opção.

A propósito: e a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer? Qual a seta?

E Aécio Neves e (talvez) Aloysio Nunes Ferreira Filho?

E Randolfe Rodrigues e Luciana Genro?

Façam suas apostas.


O esquecimento é amigo da barbárie: há 9 meses desapareceram com o Amarildo
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Mário Magalhães

blog - amarildo 9 meses

 

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O desaparecimento do pedreiro Amarildo completou nove meses nesta segunda-feira.

Na noite de 14 de julho de 2013, o morador da Rocinha foi levado para dependências da Unidade de Polícia Pacificadora na favela.

De acordo com inquérito policial e denúncia do Ministério Público, o trabalhador foi torturado até a morte por PMs, que em seguida ocultaram o cadáver.

Policiais militares estão presos, esperando julgamento.

O corpo do Amarildo, contudo, não foi encontrado e devolvido à sua família.

Seus parentes querem lhe oferecer um enterro digno, mas o Estado do Rio de Janeiro não cumpre a obrigação de descobrir onde estão os restos mortais.

Agentes públicos, conforme investigação e acusação, mataram e sumiram com o Amarildo.

Cabe ao Estado devolver o seu corpo.


Neste sábado em Brasília: biografia ‘Marighella’ é lançada às 20h na Bienal
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Mário Magalhães

 

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Velhos, novos e futuros leitores e amigos, todos estão convidados para o lançamento hoje em Brasília da biografia “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo” (Companhia das Letras).

A partir das 20h, no Auditório Jorge Amado, falarei sobre “Marighella: a batalha das biografias e o direito à memória”, na programação da II Bienal Brasil do Livro e da Leitura.

Em seguida, rolará uma sessão de autógrafos.

Será um prazer ver e rever o pessoal de Brasília. Até a noite!


Nossa crise existencial (um pitaco sobre jornalismo e jornalistas)
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Mário Magalhães

blog - jornalistas & cia

 

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Na semana do Dia do Jornalista, 7 de abril, “Jornalistas & Cia”, a mais influente newsletter do jornalismo brasileiro, veiculou 31 páginas de uma edição especial intitulada “Sobre dúvidas e certezas”.

Isso mesmo: dúvidas e certezas do conturbado momento do jornalismo e dos jornalistas. A edição pode ser lida gratuitamente clicando aqui.

Entre os 53 colegas que opinaram, escrevi um pitaco de 477 palavras, reproduzido na íntegra abaixo.

* * *

Nossa crise existencial

Por Mário Magalhães*

Cinquenta anos atrás, em 7 de abril de 1964, os jornais estampavam duas tragédias. A primeira, o noticiário sobre o golpe de Estado que acabara de depor o presidente constitucional João Goulart. A segunda, a bênção do jornalismo à ditadura que desabrochava.

Naquele mesmo dia, eu nasci no Rio (a fórceps, como a ditadura). Tremendo pé-frio, vá lá. Meio século mais tarde, quando me torno cinquentão, o Brasil é muito melhor do que nas sombrias jornadas da primeira semana de abril de 1964.

Já o jornalismo, não sei. O que sei é que o jornalismo e os jornalistas jamais viveram _vivemos_ tamanha crise como hoje. É a espécie mais devastadora de crise, a crise de identidade, existencial.

A crise nos corrói ao pôr em xeque nossa razão de viver. Isso acontece porque se costuma ignorar que o jornalismo constitui serviço público _mesmo se exercido por companhias privadas_ cuja essência é colher, processar e difundir informações.

Eis a nossa função social: informar. Enquanto a sociedade a reconhecer como necessária, sobreviveremos.

Outra impressão decorrente de astigmatismo e miopia é supor que o inédito volume de informações em circulação seria terra a cobrir nossa sepultura.

Ocorre o contrário: nunca o jornalismo foi tão indispensável, para organizar, hierarquizar, contextualizar e dar sentido à caótica overdose informativa. Diante do futuro, temos mais pinta de bebê do que de defunto.

Em meio à enxurrada de informações, desgraçadamente a propaganda se confunde com jornalismo e o contamina e descaracteriza. No mundo inteiro, a opinião sufoca a informação.

O futuro do jornalismo, que já não detém o monopólio do debate público, concentra-se na reportagem, seu gênero mais valioso. Desde que a reportagem, em tempos de vale-tudo, conserve os valores consagrados do jornalismo de qualidade, a começar pelos escrúpulos.

Preservar os padrões de decência, mas em novo cenário. Como agonizam a estrutura jornalística e o modelo de negócios estabelecidos no século XX, a vida do jornalista também muda, como descobrimos colegas de todas as gerações.

Antes, a perspectiva mais comum era nos juntarmos a corporações nas quais exerceríamos nosso ofício. Cada vez mais, para o bem e para o mal, o jornalista é sozinho um “conglomerado” de ideias e empreitadas, produzindo jornalismo em diversos gêneros e plataformas, para numerosos patrões ou sendo seu próprio patrão.

Uma aposta para o futuro: a despeito da multiplicação de operações jornalísticas profissionais num sem-número de mídias, a palavra vicejará como a pepita mais cobiçada do garimpo.

No blog, na TV, na rádio, no livro digital e de papel, nos dispositivos móveis, nos jornais e revistas impressos e na internet, quem dominar os mistérios da palavra e do idioma terá seu lugar.

Pois o jornalismo, serviço público também destinado a fiscalizar o poder, é instrumento para escavar e narrar a história. Podem anotar: enquanto as histórias contadas pelos jornalistas tiverem relevância pública e encantarem o público, nosso obituário continuará na gaveta.

* Blogueiro do UOL, ex-ombudsman da “Folha de S. Paulo” e autor da biografia “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo” (Companhia das Letras).