Blog do Mario Magalhaes

O blog chega ao fim. Até a próxima!
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Mário Magalhães

A imagem pode conter: céu

Imagem feita no começo de uma madrugada carioca por Antônio Gaudério, gênio do fotojornalismo

 

Este é um post de despedida.

O blog chega hoje ao fim, quatro anos e três meses depois da estreia. Desde o início de maio de 2013, às vésperas das Jornadas de Junho daquele ano, publiquei 2.474 posts.

Foi um prazer ter compartilhado esse espaço de histórias e pitacos.

Agradeço imensamente a quem me acompanhou, concordando ou discordando.

A decisão de interromper o contrato comigo, comunicada no finzinho de maio, foi do UOL.

Espero revê-los em breve, quando eu lançar a biografia de Carlos Lacerda (1914-1977), a sair pela Companhia das Letras.

Ou, quem sabe, antes do lançamento do livro.

Minha página no Facebook continuará na ativa. Idem o perfil no Twitter.

Até a próxima!


Com 5% de aprovação no Ibope, Michel Temer é excrescência antidemocrática
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Mário Magalhães

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Não foi eleito presidente, poucos o querem no cargo, mas não larga o osso – Alan Marques/Folhapress

 

O que têm em comum a situação do Brasil e o índice de aprovação popular ao governo de Michel Temer?

Resposta fácil: pior do que estão podem, sim, ficar.

O 7 a 1 tornou-se metáfora cotidiana dos reveses nacionais. Quanto mais pobre e vulnerável o brasileiro, maior seu risco de levar uma bola nas costas.

Os eleitores que consideravam o governo ótimo ou bom, 10% em março, reduziram-se à metade.

É o que acaba de informar a nova pesquisa CNI-Ibope (para ler o relatório com a síntese do levantamento, basta clicar aqui).

Nem a trágica administração José Sarney alcançou tamanha impopularidade _seu piso bateu em 7%. Naquela época, virada da década de 1980 para a de 1990, a inflação superou os 80% num só mês.

A rejeição a Temer e seus sócios é tamanha que 52% julgam seu governo pior do que o de Dilma Rousseff, e apenas 11% o avaliam como melhor. Como se sabe, o segundo mandato da presidente constitucional foi desastroso. Que adjetivo mereceria a pinguela de Temer?

Michel Temer é uma excrescência antidemocrática. No sentido literal de demasia, excesso, como assinala o dicionário.

Não somente pela aversão que lhe devota a esmagadora maioria dos cidadãos, expressa pela aprovação raquítica de 5%.

Mas pela maneira como o chefão peemedebista ascendeu ao Planalto, sem ter sido escolhido nas urnas para o cargo, conspirando contra a presidente, num consórcio obsceno que teve como principal operador o presidiário Eduardo Cunha.

Também por não largar o osso à custa do que os escribas amigos descrevem com o eufemismo ''negociações com deputados'' _verbas liberadas para os ditos-cujos não faltam, mas a fiscalização de trabalho escravo agoniza devido ao estrangulamento orçamentário.

A maioria dos eleitores de 2014 manifestou-se contra retrocesso e descaracterização das leis trabalhistas e do sistema previdenciário. Foi o conteúdo do voto no segundo turno. Noutras palavras: aceitou mudanças, mas sem sacrificar quem historicamente é mais sacrificado.

Volta e meia Temer tenta falar grosso, bota banca de valente, faço-e-aconteço, nada-receio, pago-pra-ver. O que ele comete na nação entre as dez mais desiguais do planeta não constitui coragem, mas covardia. Temer castiga os miseráveis, os mais sofridos. Seu governo zumbi é um fantasma que só permanece vagando porque atende às exigências de quem quer ainda mais, deixando com ainda menos quem quase nada tem. A turma que aclama a ''política econômica exemplar'' em vigor. O Temer autêntico não é o bravateiro das cerimônias e rapapés no Planalto, mas o cordeirinho diante de Joesley Batista nas sombras do Jaburu.

Seu governo nasceu ilegítimo e morrerá ilegítimo, o avesso da democracia. É uma gaze histórica, para ''estancar essa sangria'', conforme estabeleceu a Lei Jucá.

Temer é causa e efeito, como um dos protagonistas, da desesperança que corrói o Brasil de 2017.

Nessas horas, para mitigar o desalento, recomenda-se visitar o passado, nas quadras em que a coisa foi pior.

No finzinho da década de 1930, um judeu russo diagnosticou aquele tempo sinistro como ''a meia-noite da história''.

Nos anos 1970, no sufoco da ditadura, um sobralense cantou que o sinal estava fechado. Mais tarde, o sinal abriu.

Como acontecerá daqui a pouco. Qualquer dia, a borrasca passa.

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Depois da derrota por 4 a 2 na Vila, torcida dá aula do que é ser Flamengo
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Mário Magalhães

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Diego, que deu passe supimpa para Berrío marcar na Vila – Foto Pedro Martins/Mowa Press

 

O Flamengo perdeu por 4 a 2 do Santos na Vila Belmiro, mas se classificou para as semifinais da Copa do Brasil.

Seus torcedores, não fossem Flamengo, talvez se restringissem à alegria de ir adiante. Como em suas veias corre sangue rubro-negro, juntaram a fúria ao contentamento.

O time sobreviveu porque vencera na Ilha do Urubu por 2 a 0, numa noite em que o alvinegro deu muito mole.

Quem vai salvando o Flamengo é o seu elenco, um dos melhores e talvez o mais caro do país. Exemplo foi o passe supimpa do Diego para o Berrío abrir o placar.

A equipe só não está melhor porque o Zé Ricardo mais tem atrapalhado do que ajudado. Erros dele em escalação e substituição em Buenos Aires já haviam sido decisivos para a eliminação na Libertadores.

Ontem, por pouco o vexame não se repetiu, por novos enganos do técnico.

Ele promoveu o regresso do Muralha, que falhou em dois gols. O Zé Ricardo disse que o goleiro vinha bem nos treinamentos. Será que há treino de saída de gol?

A despeito de contusões, havia opções para o Rafael Vaz, mesmo que não se formasse uma zaga excepcional. O zagueiro não tem ido bem, o que não impediu o Zé Ricardo de mantê-lo. O Rafael Vaz presenteou o Santos com um escanteio que resultou em gol.

No final, viu-se em campo o Gabriel, uma insistência ofensiva _não de futebol ofensivo, mas de ofensa ao bom senso.

Tem gente que prefere esquecer o passado, mesmo o mais recente. ''A Libertadores já foi'', apregoam. É verdade. Mas uma das lições da queda diante do San Lorenzo é que não se pode recuar covardemente quando se conquista a vantagem. Ontem o Flamengo voltou a recuar, e por pouco não colecionou nova eliminação.

Vale o clichê: quem não aprende com o passado tende a repetir os erros.

Gente que ignora a história do clube e tem vocação para sabujo de cartola costuma insinuar que criticar o Zé Ricardo, alguns jogadores e o time não é coisa de rubro-negro. Reeditam o espírito do ame-o ou deixe-o.

Ora, ser Flamengo é combinar o incentivo da torcida apaixonada, a festa nos triunfos, o orgulho nas derrotas heroicas… e a cobrança.

Quando o elenco é melhor que o da concorrência, mais motivo para exercer o espírito crítico e cobrar, sem deixar de incentivar.

Ontem a equipe teve bons momentos, mas fraquejou, levando quatro gols.

O Flamengo virou loteria: não é que oscile apenas de um jogo para o outro, o que de fato acontece, mas na mesma partida vai de bestial a besta.

Não tem padrão, é imprevisível.

O que não faltou foi tempo para o Zé Ricardo formar um time mais competitivo e estável.

Quem deu aula foi a torcida, nas redes e nas rodas de conversa: no Flamengo, a vitória alegra, mas futebolzinho enfurece.

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Golpes: o adiamento das eleições ameaça como conspiração ou bode na sala
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Mário Magalhães

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Temer, quando era vice e conspirava para ser presidente – Fernanda Carvalho/O Tempo/Folhapress

 

Um ''diretor de investimentos de um conglomerado brasileiro'', ouvido pela repórter Angela Bittencourt, disse o que pode ser resumido na abertura da coluna publicada no jornal ''Valor'': ''A eleição presidencial de 2018 poderá minar o esforço empreendido até agora para aprovar reformas estruturais com o objetivo de promover uma recuperação econômica, capaz de minimizar os efeitos inquestionáveis da Operação Lava Jato sobre a atividade''.

O executivo de nome não revelado pontificou, sobre postulantes ao Planalto: ''Questionado sobre candidatos que poderão despertar confiança nos investidores, nosso interlocutor apontou personalidades filiadas ao PSDB: João Doria, prefeito de São Paulo, e Geraldo Alckmin, governador do Estado. 'O PSDB é um atestado de qualidade de política econômica. Qualquer candidato do partido seria recebido dessa forma'''.

Acrescentou: ''De Marina à direita, todos serão vistos como bons candidatos, e ela mesma pode surpreender sendo bem assessorada. O PMDB está fazendo uma política econômica exemplar, mas não parece haver condição de o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se fazer candidato. Ele seria o ideal por sua credibilidade, experiência e acertos da atual gestão''.

O executivo não gosta de Dilma nem de Ciro. Calou sobre Lula, mas se subentende que o petista não é ''visto como bom candidato''.

Mais do que aos eventuais estragos a serem provocados por um governo eleito em outubro de 2018, a voz anônima do ''mercado'' se refere à eleição em si. O título da coluna é ''Eleições podem impor retrocesso às reformas''.

O diretor de investimentos parece insinuar que o melhor para o país, a fim de impedir o tal retrocesso nas tais reformas, seria mudar a data do pleito. Não antecipando-o, consagrando as diretas já, e sim adiando-o.

Por mais esdrúxulo que pareça _e é mesmo_, postergar ou cancelar o pronunciamento dos cidadãos nas urnas é patifaria conhecida da história republicana.

A eleição presidencial prevista para 1938 não ocorreu. Em novembro de 1937, Getúlio Vargas e seus sócios militares deram um golpe de Estado que instaurou a ditadura do Estado Novo. As diretas só viriam a vingar em dezembro de 1945.

Em julho de 1964, a escolha do presidente marcada para outubro de 1965 foi adiada para 1966. A medida constituiu um dos primeiros golpes dentro do golpe de autoria da ditadura recém-instaurada. Em 1965, o governo liquidou as diretas, que só retornariam em 1989.

Muita gente, do Executivo ao Legislativo, adoraria escapar ao escrutínio popular. Seu problema é transformar desejo em movimento político capaz _o que não lhe favorece_ de contrariar aliados que pretendem concorrer no ano que vem e, sobretudo, de despertar a ira cidadã.

Por enquanto, o adiamento das eleições não passa de vontade de alguns que não têm coragem de se manifestar publicamente. No máximo, dão a entender, sob a proteção do anonimato.

Michel Temer pode aproveitar para colocar um bode na sala. Isto é, comprometer-se com a eleição de outubro de 2018 desde que lhe permitam estender seu mandato até o fim daquele ano. O chefe do governo zumbi, para combater o adiamento, exigiria sua permanência no cargo. O adiamento viraria um bode na sala, contra as diretas já.

Como conspiração ou bode na sala, as insinuações de adiamento eleitoral ameaçam a democracia tão maltratada.

Na democracia, presidente se elege no voto.

Como Temer é ilegítimo, no voto mais imediato possível.

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De Paulo Cezar Caju para João Saldanha: ‘Quem tem que correr não é a bola?’
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Mário Magalhães

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Paulo Cezar Caju, na praia do Leblon – Foto Pedro Ivo Almeida/UOL

 

Há o ranzinza autêntico e o falso ranzinza.

Um costuma ser mais desagradável do que ressaca.

O outro, ao contrário, professa a ira santa.

Paulo Cezar Lima, o Caju, pertence à segunda espécie.

Em sua coluna no ''Globo'', costuma chutar o balde contra o futebolzinho miserável tão incensado por muita gente.

Cracaço no passado, Paulo Cezar é um esteta da bola. Sem paciência com quem a maltrata.

Anteontem, escreveu uma carta para o além, endereçada ao João Saldanha.

Não perdoou: ''Saldanha, sabe como é hoje? Os jogadores não malham mais pernas, acredita? A onda, agora, é deixar os braços fortinhos para, na cobrança de lateral, conseguirem arremessar a bola dentro da grande área, kkkkkk!!!''.

Outra, no ângulo: ''Ah, João, agora, quando o jogador é substituído, a TV mostra quantos quilômetros ele percorreu, kkkkk!!! Mas quem tem que correr não é a bola???''.

O pior, poderia acrescentar o PC, é que tem técnico que escala boleiro com base na distância que ele percorre, e não no que faz com a bola.

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Temer e a tática do ‘espalha que pega’
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Mário Magalhães

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Michel Temer, brigando com os fatos – Foto do grande Jorge Araujo/Folhapress

 

Tive um professor, na faculdade de jornalismo, que costumava fazer comentários desairosos sobre colegas dele.

Algumas maledicências eram tão inverossímeis que os alunos reagiam incrédulos: ''O fulano? A sicrana?''.

É claro que não, confirmava o professor, antes de sorrir com malícia e dizer: ''Mas espalha que pega''.

Lembro-me do mestre maroto sempre que ouço o Temer anunciar estimativas de crescimento da economia que não se confirmam, prometer a manutenção de gastos/investimentos sociais e depois cortá-los, jurar que mal conhece o Joesley.

Fico esperando uma piscadinha de olho do chefe do governo zumbi, acompanhada do conselho: ''Espalha que pega''.

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PSG-Neymar, Real Madrid-Vinicius Jr., City-Douglas: qual o melhor negócio?
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Mário Magalhães

Douglas, no centro da foto, custou 13 milhões de euros ao Manchester City – Foto divulgação

 

Caso o PSG pague os 222 milhões de euros da multa rescisória do Neymar com o Barcelona, qual destes três clubes terá feito o melhor negócio:

a) o Real Madrid, que desembolsou 45 milhões de euros pelo Vinicius Junior, cria do Flamengo?

b) o Manchester City, que investiu 13 milhões de euros no Douglas, revelado pelo Vasco?

c) ou o PSG?

Neymar tem 25 anos. Vinicius, 17. Douglas, 19.

O futebol, incluindo os negócios em torno dele, também é aposta.

Aqui, desconsideram-se os ganhos com publicidade e outras receitas com a imagem dos jogadores. Trato somente da relação de investimento com desempenho ou potencial em campo.

O PSG sonha conquistar a Champions ou chegar mais longe na competição. Busca o craque que destroçou o time francês nos 6 a 1 do Camp Nou.

A agremiação espanhola espera que o Vinicius Jr. se aproxime do que hoje é o Neymar. Não precisa ser ''o novo Neymar'', mas quase. Antecipou-se ao Barça na contratação.

O clube inglês comprou a preço de xepa, para os padrões europeus, um jovem meia que talvez tenha feito o Guardiola se lembrar do Xavi Hernández (não comparo o brasileiro ao gênio catalão, é evidente, mas enfatizo o fato de o Douglas ser um meia com talentos múltiplos, tanto ao defender quanto ao atacar).

O balanço só é possível depois do jogo jogado. Se o Vinicius Jr. chegar aonde muita gente presume _e torce, como eu_, é uma coisa. Se evoluir pouco, outra.

Mesmo prognósticos são temerários. Não impressões.

A contratação de maior risco é a do Vinicius. Promessa espetacular, ainda não é nem titular do Flamengo, onde permanecerá talvez até 2019. De certo modo, o Vinicius Jr. é futuro.

A de menor risco é a do Douglas. O garoto joga muita bola, como ficou claro na sua curta trajetória como titular dos profissionais vascaínos. É o que o pessoal chama de jogador moderno. Ele se vira por muitos lugares do campo. É tecnico, inteligente. O Douglas não é apenas futuro; é presente. Para ganhar rodagem, passará a próxima temporada num modesto clube espanhol.

Hoje parece insensatez supor que o Vinicius valha mais do que três Douglas. E amanhã?

E a transferência do Neymar, será que rola?

Do ponto de vista dele, menos que uma questão financeira, será uma decisão sobre suas ambições: se quer tentar ser eleito já o melhor do mundo, o PSG lhe oferece mais perspectivas do que o Barcelona, onde o Messi se mantém como protagonista.

É difícil que para o PSG, a despeito da dinheirama, o Neymar não venha a valer a pena.

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Joesley conta vantagem e sugere que corrupção foi crime só dos outros
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Mário Magalhães

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Joesley Batista trata seus crimes com eufemismos – Foto Danilo Verpa/Folhapress

 

O artigo assinado por Joesley Batista na ''Folha de S. Paulo'' é prenhe de clichês e apelações toscas para tocar o coração dos incautos.

O texto nitidamente escrito por um ghost-writer contém um recado essencial: corrupção é palavra que se aplicaria aos outros, não ao sócio do conglomerado J&F.

Para tripudiar, o antigo parceiro de Michel Temer ainda contou vantagem.

Sobre os crimes alheios, referiu-se à ''corrupção praticada pelas maiores autoridades do nosso país''.

Omitiu que, se há autoridades corruptas, existem corruptores, sobretudo endinheirados como Joesley.

Condenou os ''políticos corruptos''.

E calou sobre suas ações como _é preciso chamar os bois pelo nome, inclusive os da JBS_ corruptor de políticos. Sem o corruptor inexiste o corrupto.

Posou de bom moço, incomodado por ''episódios de embrulhar o estômago''.

Deitou regra e lenga-lenga para não afirmar com clareza que cometeu crimes: ''Eles [certos políticos] estão em modo de negação. Não os julgo. Sei o que é isso. Antes de me decidir pela colaboração premiada, eu também fazia o mesmo. Achava que estava convencendo os outros, mas na realidade enganava a mim mesmo, traía a minha história, não honrava o passado de trabalho da minha família''.

O mensageiro de ideia tao edificante não deixou de se jactar, de forma enviesada, da condição parcialmente superada de ''maior produtor de proteína animal do mundo, de presidente de um dos maiores grupos empresariais privados brasileiros''.

Bravateou seus movimentos nos negócios depois do acordo para a dita delação premiada: ''Demos início a um agressivo plano de desinvestimento que tem tido considerável êxito, o que demonstra a qualidade da equipe e das empresas que administramos''.

Seu comportamento é o costumeiro do empresariado graúdo nacional: o inferno são os outros.

É salutar a bronca generalizada com as benesses a um tipo criminoso _e falastrão_ como Joesley Batista.

A indignação deveria também imperar em relação à boa-vida dos ladrões da Petrobrás que celebraram suas delações.

Mas no Brasil, país da hipocrisia, muita gente não tem opinião formada cobre certas práticas: o juízo varia conforme beneficie ou prejudique a ou b. Aqui é bom, ali não.

Depois de toda a bandalheira, Joesley pretende dar lições ao país.

Que fase!

(Para ler o artigo do empresário, basta clicar aqui.)

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Tratar crueldade como ‘descuido’ equivale a tolerar o inaceitável
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Mário Magalhães

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Pessoas dormem ao relento em São Paulo – Foto Nelson Antoine/UOL

 

Depois da madrugada em que os termômetros despencaram abaixo dos oito graus, pessoas que dormiam ao relento (ou quase) na praça da Sé foram despertadas por equipes a serviço da Prefeitura de São Paulo.

Não com pedidos gentis ou mesmo gritos grosseiros para cair fora, e sim com jatos d'água.

Com o risco da ironia imprópria, enfatize-se que a água não era aquecida…

Em vez de compaixão com os moradores (em situação) de rua, crueldade.

No lugar de civilização, barbárie.

João Doria poderia ter aproveitado o episódio para mandar um recado a quem trabalha para o município, ainda que por meio de empresa privada: há ações inadmissíveis, que exigem punição dos autores nos termos escrupulosos da lei.

O prefeito, porém, minimizou: ''Houve nessa circunstância um descuido''.

''Descuido'' todo mundo acumula, aos montes, todos os dias.

O que houve na Sé foi outra coisa: maldade, e das mais covardes.

Com o eufemismo, Doria deu a impressão de que tolera o inaceitável.

Ao menos quando as vítimas dos sádicos são os mais pobres e vulneráveis.

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