Depois de semear o futuro no Maracanã, a seleção regou a esperança em Quito
Mário Magalhães

Gabriel Jesus fez dois gols e sofreu o pênalti convertido por Neymar – AP Photo/Ricardo Mazalan
Doze dias depois de o Brasil conquistar a medalha de ouro com o elenco olímpico, a seleção venceu o Equador por 3 a 0 em Quito.
No Maracanã, semeou o futuro. No estádio Atahualpa, regou a esperança. Estará na Copa da Rússia.
A ótima atuação, desde o primeiro tempo, evidenciou o progresso em relação aos tempos de Dunga.
O ex-técnico teimava em barrar Marcelo, e o lateral-esquerdo reincorporado por Tite foi magistral.
O antigo ataque devagar-quase-parando se movimentou muito, infernizando a defesa da casa.
Registre-se, a favor de Dunga, que ele não teve uma Olimpíada para constatar que aos 19 anos Gabriel Jesus tem mesmo bola para o time principal.
A escalação do garoto pelo meio do ataque foi uma boa sacada de Tite.
Não é Neymar, mais frequente na ponta-esquerda, quem marca o lateral-direito oponente, e sim o palmeirense que logo estará no Manchester City.
O inspirador do glória, glória, aleluia nos estádios fez dois gols e sofreu o pênalti convertido por Neymar.
Pode ter sido impressão falsa, de quem viu o jogo pela TV, mas parece existir uma diferença entre o nosso ataque arisco, e a rapidez dos laterais, e o meio-campo mais cadenciado, com Casemiro, Renato Augusto e Paulinho. O titular Willian e Philippe Coutinho, que entrou muito bem, são mais atacantes do que meias. A lentidão torna mais difícil surpreender time retrancado, o que o Equador não foi ontem.
A velocidade dos atacantes brasileiros contrastou com a dos argentinos, mais parados, em sua vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai. Falo só do primeiro tempo, até a obscena expulsão do argentino Dybala. Mas é preciso relativizar a comparação Brasil-Argentina porque os uruguaios, fora de casa, montaram uma defesa muito mais sólida e com mais qualidade técnica que a equatoriana. Perderam pela ineficiência ofensiva e porque do outro lado havia Messi _que nem foi o melhor em campo, e sim Mascherano. O meio-campo do Uruguai é limitado.
A seleção brasileira tem muito a evoluir. Mas é certo que 7 a 1 nunca mais, ao menos nos gramados.