Blog do Mario Magalhaes

Messi imita Zico ao ensaiar reinvenção como craque supremo

Mário Magalhães

Museu do Barcelona, no Camp Nou, em 2014

Museu do Barcelona, 2014: para o seu clube, Messi é o melhor da história

 

Qualquer pessoa que entenda minimamente de futebol sabe que o Zico jogou muito mais do que o Messi.

E do que o Pelé, o Maradona, o Di Stéfano e outros bambambãs.

Mas não é essa a discussão, recuso-me a debater o óbvio, a condição do eterno craque rubro-negro como o melhor do planeta em todos os tempos.

A questão é outra, a partir da observação do Messi, o número 1 da atualidade, nesta temporada que se aproxima do fim.

Antes mesmo de completar os 28 anos, que chegam em junho, o argentino está jogando diferente, mais atrás. Lembra o Zico no fim de carreira.

Com os joelhos detonados, o Galinho uniu o talento à inteligência para se reinventar em campo.

Ele exercia a função então denominada ponta-de-lança. Bem denominada: era um pouco meia ofensivo, um pouco atacante, ciscava livremente entre o meio e a frente, mais no ataque.

Acumulava gol em cima de gol. Consagrou-se como o artilheiro insuperável do Maracanã.

Debilitado fisicamente, o Zico passou, sobretudo no segundo tempo, a ficar mais plantado no meio do campo e na intermediária ofensiva, lançando seus companheiros com a generosidade de um Papai Noel de ano inteiro.

A virada do Messi lembra a do Zico.

Havia uma necessidade dele e do Barcelona na mudança.

Recapitulando, o auge do Messi foi com o Guardiola como técnico. Com o catalão, o baixote passou a jogar no meio do ataque, com liberdade, principalmente pela direita, conspirando com o Xavi e o Daniel Alves. Cansou de levar perigo e marcar carregando a bola da direita para o centro, antes de chutar com a canhota.

Só que a nova posição ficou manjada, e os oponentes aprenderam a marcá-lo com mais eficiência.

Ao mesmo tempo em que o Xavi e o Iniesta envelheciam e se tornavam mais lentos. Mas com os treinadores Tito e Tata (não é desenho animado) Messi continuou no meio, com as ações dificultadas.

Agora, com o Luis Henrique, voltou a ter a posição base na direita no ataque. As antigas receitas para anulá-lo caducaram, e ele surpreende de novo.

Não deixa de ser ironia, porque o Luis Henrique tem provado ser um técnico limitado, que no entanto se beneficia de um tremendo elenco e de uma baita cultura futebolística.

A outra necessidade de mexer o lugar do Messi em campo, ainda que sem aprisioná-lo num canto, é o fato de o novo contratado Suárez render mais no centro do ataque.

Pela esquerda, há outro craque, o Neymar.

Juntos, os três formam o melhor ataque do mundo.

E o melhor do Barça na história, 102 gols na temporada. Ontem, nos 6 a 0 sobre o Getafe, o Messi e o Suárez acumularam mais dois, e o Neymar, um.

O Messi fez gol de pênalti, com cavadinha (sua primeira); com bola em movimento; deu passe para gol; iniciou jogada de gol. Espetacular!

É provável que sua média de gols venha a decair, e que a de assistências aumente.

Hoje, no Barcelona, ninguém faz tantos gols como ele.

E ninguém dá tantos passes para gol.

Melhor só o Zico.

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