Blog do Mario Magalhaes

Nasce um dos maiores personagens do cinema documentário brasileiro

Mário Magalhães

Aloysio Silva, o menino 23 – Foto divulgação

 

O cinema documentário nacional legou personagens inesquecíveis.

Entre os maiores, mais pungentes, está Elizabeth Teixeira, a camponesa valente de ''Cabra marcado para morrer'' (Eduardo Coutinho, 1984).

E o pintor Fernando Diniz, seus silêncios e suas cores, de ''Imagens do inconsciente'' (Leon Hirszman, 1987).

O mais novo personagem para sempre é um nonagenário, Aloysio Silva, protagonista do recém-lançado ''Menino 23''. O filme é dirigido por Belisario Franca, com base em investigação acadêmica do historiador Sidney Aguilar Filho.

Aloysio foi um dos 50 meninos levados de um orfanato do Rio, na década de 1930, para uma fazenda do interior paulista. Quase todos eram negros. Alguns integrantes da família Rocha Miranda, dona da estância, simpatizavam ou militavam na extrema-direita. Tijolos eram produzidos com o desenho da suástica, que também marcava o gado. Os garotos eram obrigados a cantar o hino da Ação Integralista Brasileira, movimento fascista que se alastrava país afora. Os sobreviventes recapitulam o cotidiano de trabalho forçado e castigos físicos. Histórias que o Brasil, ou um certo Brasil, costuma acochambrar.

Seu Aloysio morreu aos 93 anos, em 2015. Seu depoimento, a memória de dor, tristeza e altivez, é eterno.

Ele era o menino 23. O filme conta por quê.

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