Blog do Mario Magalhaes

Se vale o programa na TV, o PSDB aposta em 2018, e não no impeachment

Mário Magalhães

 

A frase mais significativa no programa de dez minutos que o PSDB levou ao ar na TV na noite de ontem foi pronunciada por Fernando Henrique Cardoso, concorde-se ou não com a opinião do ex-presidente: ''A raiz da crise atual foi plantada bem antes da eleição da atual presidente. Os enganos e desvios começaram já no governo Lula''.

(Para assistir ao programa, basta clicar na imagem no alto.)

A manifestação do mais influente integrante do partido que governou o Brasil por oito anos consolida a escolha partidária de não apostar na proposta de impeachment da presidente constitucional.

''Sangram'' Dilma, na expressão do senador Aloysio Nunes Ferreira Filho, para desidratar o antagonista mais robusto na disputa de 2018 pelo Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Se houve um grande derrotado na emissão televisiva tucana, foi o estandarte do afastamento de Dilma.

Ele é recusado por peessedebistas que reconhecem o resultado legítimo das urnas e a inexistência de provas de participação da presidente em falcatruas.

Por quem, não guardando pudores em relação ao impeachment, não quer entregar o país diretamente ao PMDB, a agremiação de Michel Temer, o vice que assumiria.

E pelos aspirantes que no cenário atual são coadjuvantes do protagonista, o senador Aécio Neves. Dando nome aos bois, o governador Geraldo Alckmin e o senador José Serra, que não apareceram no programa de TV, ao contrário de Aécio.

Se ao bater no governo o PSDB agradou o eleitorado que rejeita Dilma e o PT, frustrou aqueles que tremulam a bandeira do impeachment.

O deputado Carlos Sampaio denunciou a mudança nas regras do seguro-desemprego, silenciou sobre os índices de brasileiros sem trabalho nos anos FHC e foi obrigado a calar na sua habitual pregação pró-impeachment.

Fica claro que, salvo reviravolta hoje improvável, o próximo presidente da República será escolhido no voto, em 2018, para sorte da democracia.

Mesmo sabendo do risco, que se confirmou, de ser alvo de panelaços, Lula deu a cara no programa do PT na televisão, avisando que ao menos não está fora da batalha sucessória.

FHC mirou seus dardos de maior calibre em Lula, evidenciando ser este o maior oponente.

Cada vez mais Dilma, dona de indigentes índices de aprovação popular, será vinculada a Lula.

O impeachment murchou.

O jogo de 2018 já está sendo jogado.

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