Blog do Mario Magalhaes

Randolfe antecipa voto em eventual 2º turno: vai de Marina contra Dilma

Mário Magalhães

O senador Randolfe Rodrigues (Psol/AP) – Foto Lula Marques/Folhapress

 

O único senador do Partido Socialismo e Liberdade, Randolfe Rodrigues (AP), rompeu o silêncio: depois de reiteradas vezes adiar para depois do próximo domingo sua declaração de voto em eventual segundo turno, ele antecipou ao blog que já decidiu.

Em caso de confronto entre Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB), Randolfe votará na ex-senadora para presidente.

Seus motivos: ''[…] O Brasil pode, através dela, inaugurar o quarto ciclo necessário de sua história. Nos últimos 30 anos o país alcançou a democracia, a estabilidade da moeda e ascensão social. Entretanto, a política, da ditadura para cá, se degenerou, virou palco da corrupção e do fisiologismo, afastou a juventude e desestimulou a participação popular. A política tem que voltar a apaixonar as pessoas. Apenas na candidatura de Marina vejo a possibilidade de produzir uma revolução simbólica fundamental: derrotar figuras encasteladas no estado desde a ditadura, como José Sarney e Renan Calheiros, que representam a velha política e tudo aquilo que as ruas repudiaram em 2013″.

Se houver segundo turno entre a presidente e o senador Aécio Neves (PSDB), Randolfe vai declarar ''voto crítico'' na candidata à reeleição.

Indicado no fim do ano passado para concorrer à Presidência pelo Psol, Randolfe desistiu da candidatura, dando lugar à ex-deputada Luciana Genro. Ele não participa da campanha e, como se vê abaixo, esboça um discurso de ruptura e despedida. Afirma que no primeiro turno votará na ainda correligionária.

É possível que em breve se associe a Marina e à Rede Sustentabilidade, se a nova agremiação prosperar, como farão companheiros seus como os vereadores Heloísa Helena (Maceió) e Jefferson Moura (Rio). Caso contrário, escolherá outra legenda.

No começo de setembro, o UOL revelou que Randolfe estava filiado ao Psol ''com pendência de cancelamento'', conforme certidão da Justiça Eleitoral. Agora há pouco, ele disse que este registro assim permanece desde 2011, devido a problemas burocráticos.

De qualquer forma, como se vê na entrevista abaixo, concedida por e-mail, logo não haverá mais pendência, e Randolfe Rodrigues deixará o partido.

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*

É verdade que o senhor vai se transferir do Psol para a Rede Sustentabilidade? Por quê (independentemente da resposta)?

Desde minha desistência da pré-candidatura para cá a relação com o PSOL tem sido desgastada, isso aconteceu muito menos por mim. Não seria de minha vontade sair do PSOL, mas alguns setores, dentro do partido, têm considerado que a convivência comigo não pode ser sustentada. Resumindo, diálogo buscado apenas por uma parte, é monólogo.

O senhor votará em Marina Silva ou Luciana Genro?

No primeiro turno, em respeito ao meu partido, votarei em Luciana.

Por que – a pergunta decorre do acompanhamento do noticiário – o senhor não participa da campanha da candidata do Psol?

No marco da desistência à pré-candidatura presidencial, formalizei algumas críticas e autocríticas objetivando abrir um debate fraterno com o partido e com a própria companheira Luciana, mas não fui procurado para dar prosseguimento ao diálogo. Não foram estabelecias pontes, embora tenha me colocado à disposição para tanto.

Por que, indicado pela convenção partidária, o senhor abriu mão da candidatura presidencial?

A minha pré-candidatura foi definida em dezembro passado, no 4º Congresso Nacional do PSOL. Obtive 53% dos votos congressuais sobre a própria Luciana Genro. Pretendia que a candidatura apresentasse um novo projeto democrático e popular, que reunisse os setores progressistas da sociedade brasileira, expandindo o espectro da esquerda. Mas entendi que o propósito da candidatura era produzir um rearranjo de forças dentro do PSOL. Diante disso, percebi que não seria o meu nome que melhor para cumprir esse objetivo e a devolvi a candidatura.

Em eventual segundo turno entre Marina Silva e Dilma Rousseff, de quem será o seu voto? Por quê?

Votarei em Marina. Isso não significa adesão a todas as ideias que foram e estão sendo expostas por ela ou por sua campanha. Apenas compreendo que o Brasil pode, através dela, inaugurar o quarto ciclo necessário de sua história. Nos últimos 30 anos o país alcançou a democracia, a estabilidade da moeda e ascensão social. Entretanto, a política, da ditadura para cá, se degenerou, virou palco da corrupção e do fisiologismo, afastou a juventude e desestimulou a participação popular. A política tem que voltar a apaixonar as pessoas. Apenas na candidatura de Marina vejo a possibilidade de produzir uma revolução simbólica fundamental: derrotar figuras encasteladas no estado desde a ditadura, como José Sarney e Renan Calheiros, que representam a velha política e tudo aquilo que as ruas repudiaram em 2013.

(Mais tarde, transmiti outras duas perguntas:)

Em um possível segundo turno entre Aécio Neves e Dilma Rousseff , em quem o senhor votaria?

Nesta situação, a opção seria voto crítico na Dilma Rousseff.

Após as eleições, o senhor ingressará na Rede?

O meu futuro partidário ainda não está definido, minha preferência seria permanecer no PSOL, mas esse é o tipo de relação em que apenas um tem apostado, neste caso: eu.